Stable News

O efeito dominó das stablecoins

As stablecoins estão forçando as finanças globais a repensar seus fundamentos

Caio Barbosa

Fundador & CO-CEO

Forbes Under 30. Uma das principais vozes em Fintech & Crypto no Brasil. Escreve semanalmente sobre stablecoins, pagamentos e o futuro da infraestrutura financeira na América Latina.

Imagem de capa para o artigo do blog: O efeito dominó das stablecoins
Imagem de capa para o artigo do blog: O efeito dominó das stablecoins

Esta semana, uma sequência de acontecimentos reforça o que já se tornou inevitável: stablecoins estão forçando o setor financeiro global a rever seus fundamentos. De falas contundentes de líderes como Patrick Collison (Stripe) e Tushar Jain (Multicoin) ao alerta de risco sistêmico emitido pelo Standard Chartered, a convergência entre inovação e política monetária está no centro do debate.

Tempo de leitura: 5 minutos

Stripe: stablecoins tornarão o yield inevitável

Durante a semana, Patrick Collison, CEO da Stripe, afirmou que as stablecoins irão pressionar bancos a compartilhar rendimento com clientes, ou serão deixados para trás. A fala responde ao avanço dos yield-bearing stablecoins, que oferecem retornos semelhantes aos de títulos do Tesouro americano.

Segundo Collison:

“Os depositantes vão, e deveriam, ganhar algo mais próximo de um retorno de mercado sobre o seu capital.”

A provocação escancara o descompasso entre os juros médios oferecidos por bancos (cerca de 0,4%) e a nova realidade digital, onde stablecoins começam a distribuir retornos globais e em tempo real, mesmo com restrições legais como as impostas pelo GENIUS Act.

Por que isso importa:

✅ A fala da Stripe mostra que mesmo os maiores nomes do sistema financeiro reconhecem a disrupção das stablecoins.
✅ A pressão por yield se torna uma disputa por confiança, não apenas por margem financeira.
✅ A diferenciação entre bancos e plataformas digitais passa a ser percebida diretamente pelos usuários.

GENIUS Act e a descentralização do poder bancário

Tushar Jain, cofundador da Multicoin Capital, classificou o GENIUS Act como o "início do fim do monopólio dos bancos sobre os depósitos". A legislação americana, mesmo restringindo o pagamento direto de juros por stablecoins, abre espaço para modelos indiretos, explorados por afiliadas e plataformas parceiras.

Segundo estimativas do Tesouro dos EUA, até US$ 6,6 trilhões podem sair do sistema bancário tradicional e migrar para stablecoins nos próximos anos. Em um cenário onde Big Techs como Apple e Meta consideram lançar stablecoins próprias, a disputa pelos depósitos entra em nova fase.

Por que isso importa:

✅ A regulação americana deu o sinal verde para o surgimento de um mercado global e competitivo de stablecoins.
✅ Pela primeira vez, instituições bancárias precisam disputar clientes com infraestruturas baseadas em código.
✅ O modelo de rendimento embutido pode se tornar a nova régua da eficiência financeira.

Bancos emergentes em alerta: risco de evasão de capital via stablecoins

O Standard Chartered divulgou um relatório apontando que até US$ 1 trilhão podem sair de bancos de países emergentes para stablecoins nos próximos três anos. A razão é clara: com 99% das stablecoins atreladas ao dólar, elas se tornaram alternativas estáveis em economias com volatilidade cambial.

A frase que sintetiza o relatório:

“O retorno do capital importa mais do que o retorno sobre o capital.”

Em termos geopolíticos, o paradoxo é evidente: enquanto os EUA demonstram preocupação com a erosão dos bancos domésticos, a própria infraestrutura do dólar via stablecoins se fortalece em escala global, inclusive em regiões onde a moeda americana já substitui o dinheiro local como unidade de conta.

Por que isso importa:

✅ Stablecoins estão sendo reconhecidas como risco sistêmico por instituições tradicionais.
✅ O processo de "dolarização via stablecoin" pode redesenhar o equilíbrio monetário em mercados emergentes.
✅ Bancos centrais terão que repensar sua estratégia frente a instrumentos financeiros globais e descentralizados.

Token2049 e o amadurecimento do setor cripto

Durante o Token2049 em Singapura, a narrativa dominante foi de maturidade. O evento reuniu líderes de empresas como EY, Tether, dYdX e Stable, mostrando como o setor está evoluindo da fase experimental para uma estrutura mais robusta, com foco em privacidade corporativa, governança e compliance.

Paul Brody, da EY, resumiu o momento:

“As finanças tradicionais e as cripto estão se encontrando no meio do caminho.”

Entre os destaques, Reeve Collins (Stable/Tether) apresentou o conceito de “Stablecoin 2.0”: ativos estáveis que integram rendimento, governança e transparência, ampliando seu papel para além da simples representação do dólar.

Por que isso importa:

✅ O ciclo atual marca uma convergência entre padrões institucionais e tecnologias cripto.
✅ O setor ganha musculatura regulatória sem perder eficiência operacional.
✅ A adoção real começa a suplantar o ruído, e isso muda a natureza dos ciclos de inovação.

União Europeia propõe centralizar regulação sob a ESMA

Enquanto os EUA avançam na criação de mercados competitivos de stablecoins, a União Europeia quer consolidar a supervisão sob a European Securities and Markets Authority (ESMA). A proposta visa unificar a aplicação do MiCA e reduzir as assimetrias regulatórias entre os países membros.

Hoje, cada país da UE pode emitir licenças próprias para exchanges e emissores, um modelo que a Comissão Europeia quer substituir por uma regulação centralizada e supranacional.

Por que isso importa:

✅ A Europa busca uma abordagem uniforme para mitigar riscos e garantir previsibilidade.
✅ A centralização pode gerar tensões entre países com visões diferentes sobre inovação financeira.
✅ O desafio será encontrar o ponto de equilíbrio entre proteção regulatória e fomento à competitividade.

Um Giro pela Lumx

Temos novidades importantes a caminho que em breve poderão ser compartilhadas com mais detalhes.

Enquanto isso, nossa CRO Nathaly Diniz está em Madri para o Merge Madrid, um dos principais fóruns que conecta líderes da Europa e América Latina em torno de inovação em fintechs, Web3 e pagamentos digitais. Se estiver por lá, conecte-se com Nathaly aqui.

E um spoiler exclusivo: o episódio 3 da nova temporada do Stable Talks estreia na próxima semana. Recebemos Rachael Akali, da Yellowcard, uma das maiores fintechs cripto da África, para discutir a expansão das stablecoins em economias emergentes, com paralelos relevantes para o contexto latino-americano.

Confira os episódios anteriores aqui e não perca esse próximo capítulo.

Em perspectiva:

A edição desta semana da Stable News mostra que estamos além da fase de validação. O efeito dominó iniciado pelas stablecoins já pressiona instituições bancárias, molda políticas públicas e desafia modelos de negócio estabelecidos.

Se antes a pergunta era "será que stablecoins vão prosperar?", agora a disputa é por quem irá definir os trilhos dessa nova infraestrutura financeira.

Até a próxima edição.

  • Why does Stripe's CEO say stablecoins will force banks to share yield?

    Stripe CEO Patrick Collison stated that yield-bearing stablecoins, which offer returns comparable to U.S. Treasury bills, will pressure banks to share yield with customers or risk losing deposits. With banks currently offering average interest rates around 0.4%, stablecoins are creating a tangible gap that customers can see — making the competition for deposits increasingly digital and transparent.

  • What is the GENIUS Act and how does it affect stablecoin yield?

    The GENIUS Act is U.S. legislation that, while restricting direct yield payments by stablecoin issuers, opens room for indirect yield models explored by affiliates and partner platforms. Multicoin Capital's Tushar Jain described it as the beginning of the end of banks' monopoly over deposits, signaling a fundamental shift in how digital liquidity is distributed.

  • What systemic risks do stablecoins pose to the financial system?

    Standard Chartered issued a warning about systemic risks from stablecoins, including potential rapid outflows from bank deposits into stablecoin products, concentration risk among large issuers, and the challenge of maintaining reserve backing during market stress. These concerns are driving regulators to create frameworks that balance innovation with financial system stability.

  • How are stablecoins creating a domino effect across global finance?

    Stablecoins are triggering a chain reaction across the financial system: fintech leaders are building competing infrastructure, regulators are racing to establish frameworks, banks are being pressured to modernize deposit products, and institutional investors are treating stablecoins as strategic assets. This convergence between innovation and monetary policy is forcing the entire financial system to revisit its foundations.

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