A Stable News é a curadoria semanal da Lumx dedicada a informar os principais movimentos sobre stablecoins, tokenização e pagamentos digitais na economia global. Nesta edição, destacam-se o desenvolvimento de blockchains proprietárias por grandes empresas de pagamentos, o lançamento da primeira stablecoin estadual americana com suporte Visa, marcos regulatórios asiáticos para stablecoins soberanas e os resultados recordes da Circle em seu primeiro trimestre pós-IPO.
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Stripe, Circle e Robinhood lideram corrida por blockchains próprias focadas em pagamentos
O setor de pagamentos digitais testemunha uma tendência estratégica sem precedentes: grandes empresas financeiras desenvolvem blockchains proprietárias especializadas em stablecoins e transações. A Stripe, em parceria com a Paradigm, desenvolve secretamente a "Tempo", uma layer-1 de alta performance compatível com Ethereum e otimizada para transações financeiras. Simultaneamente, a Circle anunciou a "Arc", blockchain purpose-built para "stablecoin finance" com USDC como token nativo de gas, engine de FX integrada e liquidação sub-segundo.
O movimento se expande: Robinhood lançou sua layer-2 voltada à tokenização, Tether desenvolve a "Plasma" e startups como Stable captaram recursos significativos para criar rails especializados. A lógica empresarial é clara, controlar a infraestrutura significa dominar experiência do usuário, reduzir custos operacionais, diferenciar-se em software e capturar valor de cada transação processada.
Contudo, especialistas alertam para riscos dessa fragmentação. A corrida por blockchains privadas pode criar novos silos, reduzindo interoperabilidade e concentrando poder em poucos grandes players, fenômeno similar ao observado quando plataformas abertas da internet deram lugar a gigantes digitais centralizadores. O desafio será equilibrar avanços em escala e experiência com a manutenção dos princípios de interoperabilidade e descentralização que tornaram stablecoins inovadoras.
Por que isso importa:
✅ A fragmentação de rails pode criar ecossistema mais eficiente, mas também riscos de silos e perda da interoperabilidade cripto.
✅ Empresas que controlam distribuição têm vantagem competitiva decisiva na última milha entre blockchain e mundo real.
✅ O paradoxo: stablecoins prometem descentralização, mas a batalha por escala pode concentrar poder em poucos players dominantes.
Circle registra crescimento de 90% em USDC e acelera estratégia de stack completo
A Circle divulgou resultados recordes em seu primeiro trimestre como empresa pública, registrando crescimento de 90% year-over-year na circulação de USDC, que atingiu US$ 61,3 bilhões no final do trimestre e já alcançou US$ 65,2 bilhões em agosto. A receita total cresceu 53% para US$ 658 milhões, enquanto o EBITDA ajustado subiu 52% para US$ 126 milhões, demonstrando escalabilidade do modelo de negócio baseado em stablecoins.
Apesar do prejuízo líquido de US$ 482 milhões, impacto de encargos não-monetários relacionados ao IPO, a empresa reforçou posição dominante no setor. O lançamento da Circle Payments Network e da Arc blockchain, combinado com parcerias estratégicas com Binance, Corpay, FIS, Fiserv e OKX, posiciona a Circle como player de stack completo no ecossistema de stablecoins.
Por que isso importa:
✅ Os números validam stablecoins como negócios sustentáveis e escaláveis, especialmente com clareza regulatória crescente.
✅ A estratégia de stack completo (emissão + infraestrutura + distribuição) pode criar vantagens competitivas duradouras.
✅ A performance pós-IPO sinaliza apetite institucional por exposição ao crescimento de stablecoins reguladas.
Wyoming lança primeira stablecoin estadual dos EUA com integração Visa
Wyoming oficializou o lançamento da Frontier Stable Token (FRNT), tornando-se o primeiro estado americano a emitir stablecoin oficial. Totalmente colaterizada por Treasuries de curto prazo e dólares com reserva mandatória de 102%, a FRNT está disponível em sete blockchains principais e pode ser usada em qualquer local que aceita Visa, incluindo Apple Pay e Google Pay.
O projeto, desenvolvido pela Wyoming Stable Token Commission, representa marco na modernização de processos governamentais. Programas-piloto demonstraram redução de prazos de pagamento de fornecedores de 45 dias para segundos. Wyoming consolida décadas de legislação pró-cripto (mais de 45 leis desde 2016) com aplicação prática inspiradora para outros estados e governos.
Por que isso importa:
✅ Governos locais assumem protagonismo na adoção de stablecoins, criando casos de uso concretos e legitimidade adicional.
✅ A entrada em vigor do GENIUS Act fortalece bases do projeto: FRNT cumpre requisitos federais, facilitando integração interestadual.
✅ A integração com Visa elimina barreiras de usabilidade, aproximando stablecoins do mainstream de pagamentos.
Coreia do Sul avança em framework nacional para stablecoin de won
A Coreia do Sul desenvolve regulamentação abrangente para stablecoins lastreadas em won, com projeto de lei esperado para outubro pela Financial Services Commission (FSC). A iniciativa estabelecerá requisitos para emissão, gestão de colateral e sistemas de controle interno, como parte da segunda fase do Virtual Asset User Protection Act.
O movimento ganhou tração política após campanhas que destacaram necessidade de reduzir dependência de stablecoins dolarizadas, que dominam 99,8% do mercado global. Grandes bancos sul-coreanos estudam joint venture para lançar token won até final de 2025, visando proteger moeda nacional contra crescente dominância do dólar digital.
Por que isso importa:
✅ A Coreia do Sul integra movimento regional asiático de stablecoins soberanas, buscando alternativas ao domínio dolarizado.
✅ A criação de stablecoin won pode fortalecer relações comerciais regionais e reduzir custos de FX para empresas asiáticas.
✅ O timing coordenado sugere estratégia regional para criar alternativa robusta aos rails dominados por emissores americanos.
Japão prepara aprovação da primeira stablecoin yen regulamentada
A fintech japonesa JPYC aguarda aprovação da Financial Services Agency (FSA) para stablecoin lastreada em yen, que se tornará a primeira oficialmente regulamentada no país. Com lançamento esperado em 2025, a empresa projeta emitir US$ 7 bilhões em tokens nos próximos três anos, focando em pagamentos e transferências cross-border.
O CEO Noritaka Okabe posiciona estrategicamente o projeto como "método de pagamento eletrônico", distanciando-se do rótulo de criptoativo especulativo. O Japão estrutura legislação específica para stablecoins desde junho de 2023, com Circle/USDC aprovado como primeiro dólar digital, mas JPYC será pioneiro entre moedas locais.
O movimento ocorre em paralelo a avanços regulatórios em outros países asiáticos, como Coreia do Sul. Essa tendência reflete esforço coordenado regional para criar alternativas ao domínio das stablecoins dolarizadas, fortalecendo soberania monetária e criando pontes multilaterais para comércio internacional. Para países como Brasil, com intenso relacionamento comercial asiático, a proliferação de stablecoins regionais pode destravar novas rotas de eficiência nas relações bilaterais.
Por que isso importa:
✅ O Japão avança criando referência regulatória para stablecoins nacionais, inspirando outros mercados.
✅ A dinâmica asiática de stablecoins locais fortalece soberania financeira e impulsiona colaboração econômica internacional.
✅ Países com laços comerciais asiáticos podem se beneficiar dessa nova infraestrutura, reduzindo custos e aumentando agilidade.
Lumx expande atuação em eventos estratégicos e consolida posição regional
A semana foi marcada por participação ativa em iniciativas que fortalecem o ecossistema de stablecoins na América Latina. A contribuição para o relatório "Stablecoin Payments - The Trillion Dollar Opportunity", parceria entre Keyrock e Bitso, destacou dados críticos: custo médio de US$ 200 via bancos tradicionais chega a 13%, enquanto stablecoins reduzem drasticamente esses valores com liquidação mais rápida.
A participação no Rio Innovation Week, em dois painéis sobre stablecoins e economia digital, reforçou que a América Latina se destaca como região relevante para transformação de pagamentos, com altos níveis de dolarização, gaps bancários e forte demanda por eficiência. As conversas confirmaram transição da experimentação tecnológica para aplicação prática e segura.
A agenda continua com a Stablecoin Conference 2025 na Cidade do México, onde a Lumx terá booth próprio e participação no painel "Collaborating for Success: Building a Unified Digital Finance Ecosystem", discutindo colaboração, inovação e futuro dos pagamentos digitais regionais.

Caio Barbosa no painel: Seu Dinheiro no Piloto Automático - O Futuro das Finanças Invisíveis
Esta edição evidencia momento único de reestruturação sistêmica dos pagamentos globais: instituições tradicionais competem com players nativos digitais, governos experimentam stablecoins como ferramenta de eficiência pública, países desenvolvem alternativas monetárias soberanas e a América Latina se posiciona como laboratório de inovação prática. Compreender e participar dessas transformações tornou-se estratégico para empresas, governos e profissionais que desejam liderar na economia digital emergente.
Nos vemos na próxima edição. Uma ótima semana e até breve.
Why are major payment companies building their own proprietary blockchains?
Companies like Stripe (Tempo), Circle (Arc), Robinhood, and Tether (Plasma) are building proprietary blockchains to control the user experience, reduce operational costs, and capture value from every processed transaction. By owning the infrastructure layer, these companies can optimize for payments and stablecoins specifically, rather than relying on general-purpose blockchains.
What is Circle's Arc blockchain and how does it relate to USDC?
Arc is Circle's purpose-built blockchain for stablecoin finance, with USDC as its native gas token. It features an integrated FX engine and sub-second settlement, designed to make USDC the foundational layer of a new financial infrastructure. Arc represents Circle's strategy to move beyond just issuing a stablecoin to controlling the entire payment rail.
What was the first US state-backed stablecoin with Visa integration?
A US state launched the first state-backed stablecoin with direct Visa integration, marking a milestone in government-endorsed digital currency. This initiative combines the trust of state backing with Visa's global payment network, creating a bridge between public digital currency initiatives and existing commercial payment infrastructure that consumers and businesses already use.
How are Asian countries regulating sovereign stablecoins?
Asian countries are establishing regulatory frameworks specifically for sovereign stablecoins, with Japan leading through bank-issued yen-backed tokens and Singapore setting transparency standards through MAS-supervised issuances like XSGD. These frameworks aim to maintain monetary sovereignty while enabling innovation, creating a model where government-backed and privately issued stablecoins can coexist within regulated markets.





