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segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Pagamentos, Política e Poder

Os três P’s da nova era da infraestrutura monetária

As palavras pagamentos, política e poder contra um fundo gradiente
As palavras pagamentos, política e poder contra um fundo gradiente

Pagamentos: Eficiência, praticidade e novos fluxos

Stablecoins deixaram de ser uma curiosidade do universo dos criptoativos para se tornar uma ferramenta operacional relevante. Segundo estimativas públicas, o estoque circulante ultrapassou US$250 bilhões em meados de 2025, com volumes de liquidação superiores a US$3.7 trilhões em 2023 e projeção para mais de US$5 trilhões em 2024.

Os benefícios relatados por empresas e instituições que utilizam stablecoins incluem:

  • Liquidação quase instantânea: Pagamentos podem ser processados em minutos, 24 horas por dia, reduzindo o tempo de espera comum em transferências bancárias tradicionais.

  • Redução de custos operacionais: Taxas de envio na casa dos centavos, contrastando com modelos tradicionais de remessas internacionais que cobram de 1.5% a 2.9% por operação.

  • Possibilidade de automação: Empresas integram APIs e contratos inteligentes para automatizar recebimentos, pagamentos, gestão de folha e importação/exportação.

Pesquisa recente da Fireblocks aponta que, entre 295 instituições financeiras entrevistadas globalmente, 49% já processam pagamentos com stablecoins, enquanto 41% estão em fase de piloto ou planejamento. Embora esses números sejam amostrais, refletem uma tendência de expansão progressiva no uso desses ativos para finalidades transacionais legítimas.

Na América Latina, a utilidade ganha contornos práticos:

  • Remessas EUA-México: Estima-se que de 2% a 3% das remessas já sejam processadas via stablecoins, o que representa movimentação anual de US$3–4.5 bilhões. Em exchanges como a Bitso, mais de 10% desse fluxo já passou por stablecoins em 2024.

  • Proteção cambial: Em contextos de inflação elevada, como na Argentina (211.4% em 2023), mais de 60% das operações cripto já utilizam stablecoins como forma de hedge contra desvalorização da moeda nacional.

Política: Regulação, soberania e competição digital

O avanço das stablecoins impôs novos desafios a reguladores e formuladores de política econômica. É um movimento menos de ruptura do que de adaptação, com diferentes países buscando equilibrar inovação e mitigação de riscos sistêmicos.

  • Estados Unidos: O GENIUS Act, aprovado em 2025, trouxe diretrizes federais claras para emissores de stablecoins, exigindo lastro integral em reservas segregadas e afastando a classificação como “valor mobiliário”, o que deu maior previsibilidade ao setor e às instituições que planejam atuar no segmento.

  • União Europeia: Desde 2024, o regime MiCA regula stablecoins como moeda eletrônica, obrigando registro, supervisão central e segregação de ativos. Já há emissões licenciadas, como o EURI, e projeções de crescimento de até 37% no estoque europeu desses ativos até o próximo ano.

  • América Latina: Países como Brasil, México, Venezuela e Argentina figuram entre os 20 principais mercados em adoção cripto e stablecoin, de acordo com o índice da Chainalysis. O uso massivo em pagamentos de remessas, comércio internacional e proteção cambial pressiona governos locais a desenvolverem estruturas regulatórias próprias, enquanto monitoram riscos de evasão e compliance.

No plano global, stablecoins dolarizadas já representam mais de 97% do mercado, evidenciando a digitalização da hegemonia do dólar e impactando discussões sobre soberania monetária e estratégias de controle de capitais.

Poder: Infraestrutura, concentração e governança

A batalha menos visível ocorre na camada da infraestrutura: quem controla a emissão, custódia, compliance e liquidez dessas moedas digitais? O mercado é altamente concentrado. Em julho de 2025:

Stablecoin

Suprimento (US$ Bi)

Participação no mercado

Observações

USDT

143

≈57%

Multi-rede (Tron 54%)

USDC

58

≈23%

Forte adoção institucional

Others

49

20%

DAI, FDUSD, EURI etc.

Esse domínio de emissores privados levanta questionamentos sobre risco sistêmico, governança e a possibilidade de bloqueios ou sanções extraterritoriais, temas que recentemente ganharam destaque após congelamentos de ativos em resposta a demandas judiciais e sanções internacionais.

Além disso, empresas do setor reportam amadurecimento nas demandas: 86% das organizações analisadas possuem APIs, armazenam chaves criptográficas de forma avançada e implementam sistemas automatizados de compliance (KYC/KYT), tornando a adoção de stablecoins cada vez mais alinhada com padrões bancários tradicionais.

Desafios e oportunidades para empresas

Com a adoção gradativa, surgem perguntas pragmáticas para empresas:

  • Como encaixar stablecoins na tesouraria e cadeia de suprimentos internacional?

  • Que provedores e parceiros oferecem custódia, governança e integrações mais robustas?

  • Como mapear riscos de concentração e definir políticas de compliance multijurisdicionais?

  • Quais segmentos (remessas, folha, trade finance) oferecem ganhos imediatos e mensuráveis?

O caminho mais viável é começando com pilotos internos, como salários de equipe internacional, fornecedores ou clientes estratégicos, mapeando ganhos operacionais e testando fluxos de compliance.

O papel das stablecoins na infraestrutura monetária não é de substituição pura e simples dos sistemas tradicionais, mas de integração e resposta a necessidades específicas de eficiência, velocidade, transparência e redução de custos. O crescimento e o interesse institucional são evidentes, mas também são os desafios regulatórios e os riscos de concentração.

A recomendação é que empresas e instituições se aproximem desse tema com pragmatismo, priorizando conhecimento técnico, análise jurídica e pilotos controlados, para inserir inovação de forma responsável e sustentável no contexto maior do sistema financeiro global.

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