Stable News é a curadoria semanal da Lumx dedicada a acompanhar os principais movimentos em stablecoins, infraestrutura digital e o futuro dos pagamentos globais.
A agenda global sobre stablecoins avançou simultaneamente em diferentes frentes nesta semana. De projeções sobre o impacto direto no mercado de Treasury Bills dos EUA à integração em stacks bancárias e impasses regulatórios sobre rewards, o movimento reforça uma transição clara: stablecoins deixam de ser analisadas apenas sob ótica de crescimento e passam a ser tratadas como variável estrutural dentro do sistema financeiro.
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Stablecoins podem gerar US$ 1 trilhão em demanda por T-Bills até 2028, diz Standard Chartered
Em resumo, mudança estratégica:
Banco projeta market cap de US$ 2 trilhões até 2028
Emissores podem gerar até US$ 1 trilhão adicional em demanda por T-Bills
Tesouro americano poderia ajustar composição da dívida
Relatório do Standard Chartered projeta que o mercado de stablecoins pode atingir US$ 2 trilhões até 2028. Mantido o modelo atual de reservas majoritariamente alocadas em títulos de curto prazo do Tesouro americano, isso implicaria entre US$ 800 bilhões e US$ 1 trilhão adicionais direcionados para Treasury Bills.
Somando esse fluxo à dinâmica de recompra e reinvestimento do Federal Reserve, o banco estima que poderia surgir um excesso estrutural de demanda por papéis curtos. O efeito prático seria pressão para que o Tesouro aumente a emissão de T-Bills e reduza a oferta de títulos longos, podendo inclusive revisar leilões de 30 anos.
O ponto mais relevante não é apenas o crescimento projetado, mas o efeito sistêmico: stablecoins passariam a influenciar diretamente a estrutura da curva de juros americana. Se essa trajetória se confirmar, o impacto deixará de ser marginal.
TRM Labs e Finray integram monitoramento cripto e fiat no mesmo framework
Em resumo, mudança estratégica:
Monitoramento unificado de trilhos onchain e tradicionais
MiCA acelera exigência de supervisão integrada
Compliance se consolida como infraestrutura estrutural
TRM Labs e Finray Technologies anunciaram uma solução que integra monitoramento de transações cripto e fiat no mesmo ambiente operacional. A proposta elimina a fragmentação entre trilhos tradicionais e blockchain na análise de risco e compliance.
A demanda é particularmente evidente na Europa, sob o arcabouço do MiCA, onde instituições precisam demonstrar supervisão estruturada e auditável de fluxos híbridos. Bancos e EMIs que operam on/off-ramps já não conseguem sustentar sistemas paralelos de controle.
O movimento reforça um padrão mais amplo: stablecoins não são mais uma camada adicional. Elas exigem redesenho completo da governança de risco dentro do mesmo stack financeiro.
Rewards seguem travando o CLARITY Act nos EUA
Em resumo, mudança estratégica:
White House, bancos e indústria retomam negociações
Rewards continuam como principal impasse regulatório
Debate gira em torno da fronteira entre pagamentos e depósitos
As negociações em torno do CLARITY Act voltaram a esbarrar no ponto mais sensível: o tratamento de rewards em stablecoins.
O debate já não envolve a legitimidade dos tokens, mas seu desenho econômico. Bancos argumentam que stablecoins com rendimento competem diretamente com depósitos tradicionais, alterando a dinâmica de captação do sistema financeiro. Empresas cripto, por outro lado, defendem que proibir rewards comprometeria a competitividade do dólar digital frente a outras jurisdições.
A ausência de consenso mantém o projeto em compasso de espera. O impasse evidencia que a disputa deixou de ser tecnológica e passou a ser estrutural: quem captura o yield das reservas e sob quais regras.
Modern Treasury incorpora stablecoins ao mesmo stack de ACH e wires
Em resumo, mudança estratégica:
Stablecoins passam a operar dentro da infraestrutura tradicional
USDG, USDP e USDC entram como trilhos nativos
Abstração técnica reduz fricção para empresas multi-rail
A Modern Treasury, empresa de software de operações financeiras que já processou mais de US$ 400 bilhões para clientes institucionais, anunciou a integração de stablecoins ao seu stack.
Empresas agora podem movimentar ACH, wires, RTP, FedNow e stablecoins dentro do mesmo framework operacional e de compliance.
A relevância não está na inovação tecnológica em si, mas na padronização. Stablecoins passam a ser tratadas como mais um rail dentro da arquitetura financeira. À medida que se comportam como trilhos tradicionais, aumentam também o interesse de grandes players da infraestrutura bancária em capturar parte dessa camada operacional.
Banco da Coreia defende stablecoins em won lideradas por bancos
Em resumo, mudança estratégica:
Emissão inicial restrita a bancos comerciais
Política monetária e controle cambial no centro do debate
Elegibilidade de emissores segue indefinida
O Banco da Coreia voltou a defender que stablecoins atreladas ao won sejam emitidas prioritariamente por bancos comerciais.
As preocupações envolvem política monetária, estabilidade financeira e potenciais brechas no controle cambial. O modelo proposto inclui consórcios bancários e coordenação interagências para aprovação de emissores.
Assim como em outras jurisdições, a discussão já não questiona a existência de stablecoins locais, mas o desenho institucional que permitirá sua operação.
À medida que stablecoins passam a ser absorvidas pelo núcleo do sistema financeiro, perde relevância a análise centrada apenas em volumetria ou crescimento de market cap.
O debate atual está na arquitetura macroeconômica, regulatória e bancária global. Projeções que envolvem impacto na dívida pública americana, integração plena em stacks bancárias e disputas sobre captação mostram que a tecnologia alcançou um novo patamar de maturidade.
A questão deixou de ser “se” stablecoins farão parte do sistema. O foco agora é entender como serão integradas, e sob quais limites estruturais.
Nos vemos na próxima edição.
How could stablecoins impact U.S. Treasury Bill demand by 2028?
According to Standard Chartered, the stablecoin market could reach $2 trillion by 2028. Since most stablecoin reserves are allocated to short-term U.S. Treasuries, this would generate up to $1 trillion in additional T-Bill demand — potentially influencing the structure of the U.S. yield curve and forcing the Treasury to adjust its debt issuance strategy.
Why are compliance tools merging crypto and fiat monitoring into unified frameworks?
As stablecoins increasingly flow through both onchain and traditional rails, regulators — especially under MiCA in Europe — require integrated supervision. Companies like TRM Labs and Finray are merging crypto and fiat monitoring to provide unified compliance infrastructure, consolidating compliance as a structural layer rather than an add-on.
What does Standard Chartered's stablecoin projection mean for the global financial system?
The projection signals that stablecoins are transitioning from a growth narrative to a structural variable within the financial system. If stablecoin issuers become significant holders of U.S. government debt, they could directly influence monetary policy transmission, debt composition, and short-term interest rate dynamics at a global scale.
How is Modern Treasury integrating stablecoins alongside traditional payment rails?
Modern Treasury, which has processed over $400 billion for institutional clients, now allows companies to move ACH, wires, RTP, FedNow, and stablecoins within the same operational and compliance framework. The significance is in standardization: stablecoins are treated as just another rail within existing financial architecture, not as a separate system requiring parallel infrastructure.





