Stable News

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

O futuro das stablecoins até 2028 segundo o Standard Chartered

Da curva de juros americana à integração bancária

Representação de moedas
Representação de moedas

Stable News é a curadoria semanal da Lumx dedicada a acompanhar os principais movimentos em stablecoins, infraestrutura digital e o futuro dos pagamentos globais.

A agenda global sobre stablecoins avançou simultaneamente em diferentes frentes nesta semana. De projeções sobre o impacto direto no mercado de Treasury Bills dos EUA à integração em stacks bancárias e impasses regulatórios sobre rewards, o movimento reforça uma transição clara: stablecoins deixam de ser analisadas apenas sob ótica de crescimento e passam a ser tratadas como variável estrutural dentro do sistema financeiro.

Tempo de leitura: 5 minutos

Stablecoins podem gerar US$ 1 trilhão em demanda por T-Bills até 2028, diz Standard Chartered

Em resumo, mudança estratégica:

  • Banco projeta market cap de US$ 2 trilhões até 2028

  • Emissores podem gerar até US$ 1 trilhão adicional em demanda por T-Bills

  • Tesouro americano poderia ajustar composição da dívida

Relatório do Standard Chartered projeta que o mercado de stablecoins pode atingir US$ 2 trilhões até 2028. Mantido o modelo atual de reservas majoritariamente alocadas em títulos de curto prazo do Tesouro americano, isso implicaria entre US$ 800 bilhões e US$ 1 trilhão adicionais direcionados para Treasury Bills.

Somando esse fluxo à dinâmica de recompra e reinvestimento do Federal Reserve, o banco estima que poderia surgir um excesso estrutural de demanda por papéis curtos. O efeito prático seria pressão para que o Tesouro aumente a emissão de T-Bills e reduza a oferta de títulos longos, podendo inclusive revisar leilões de 30 anos.

O ponto mais relevante não é apenas o crescimento projetado, mas o efeito sistêmico: stablecoins passariam a influenciar diretamente a estrutura da curva de juros americana. Se essa trajetória se confirmar, o impacto deixará de ser marginal.

TRM Labs e Finray integram monitoramento cripto e fiat no mesmo framework

Em resumo, mudança estratégica:

  • Monitoramento unificado de trilhos onchain e tradicionais

  • MiCA acelera exigência de supervisão integrada

  • Compliance se consolida como infraestrutura estrutural

TRM Labs e Finray Technologies anunciaram uma solução que integra monitoramento de transações cripto e fiat no mesmo ambiente operacional. A proposta elimina a fragmentação entre trilhos tradicionais e blockchain na análise de risco e compliance.

A demanda é particularmente evidente na Europa, sob o arcabouço do MiCA, onde instituições precisam demonstrar supervisão estruturada e auditável de fluxos híbridos. Bancos e EMIs que operam on/off-ramps já não conseguem sustentar sistemas paralelos de controle.

O movimento reforça um padrão mais amplo: stablecoins não são mais uma camada adicional. Elas exigem redesenho completo da governança de risco dentro do mesmo stack financeiro.

Rewards seguem travando o CLARITY Act nos EUA

Em resumo, mudança estratégica:

  • White House, bancos e indústria retomam negociações

  • Rewards continuam como principal impasse regulatório

  • Debate gira em torno da fronteira entre pagamentos e depósitos

As negociações em torno do CLARITY Act voltaram a esbarrar no ponto mais sensível: o tratamento de rewards em stablecoins.

O debate já não envolve a legitimidade dos tokens, mas seu desenho econômico. Bancos argumentam que stablecoins com rendimento competem diretamente com depósitos tradicionais, alterando a dinâmica de captação do sistema financeiro. Empresas cripto, por outro lado, defendem que proibir rewards comprometeria a competitividade do dólar digital frente a outras jurisdições.

A ausência de consenso mantém o projeto em compasso de espera. O impasse evidencia que a disputa deixou de ser tecnológica e passou a ser estrutural: quem captura o yield das reservas e sob quais regras.

Modern Treasury incorpora stablecoins ao mesmo stack de ACH e wires

Em resumo, mudança estratégica:

  • Stablecoins passam a operar dentro da infraestrutura tradicional

  • USDG, USDP e USDC entram como trilhos nativos

  • Abstração técnica reduz fricção para empresas multi-rail

A Modern Treasury, empresa de software de operações financeiras que já processou mais de US$ 400 bilhões para clientes institucionais, anunciou a integração de stablecoins ao seu stack.

Empresas agora podem movimentar ACH, wires, RTP, FedNow e stablecoins dentro do mesmo framework operacional e de compliance.

A relevância não está na inovação tecnológica em si, mas na padronização. Stablecoins passam a ser tratadas como mais um rail dentro da arquitetura financeira. À medida que se comportam como trilhos tradicionais, aumentam também o interesse de grandes players da infraestrutura bancária em capturar parte dessa camada operacional.

Banco da Coreia defende stablecoins em won lideradas por bancos

Em resumo, mudança estratégica:

  • Emissão inicial restrita a bancos comerciais

  • Política monetária e controle cambial no centro do debate

  • Elegibilidade de emissores segue indefinida

O Banco da Coreia voltou a defender que stablecoins atreladas ao won sejam emitidas prioritariamente por bancos comerciais.

As preocupações envolvem política monetária, estabilidade financeira e potenciais brechas no controle cambial. O modelo proposto inclui consórcios bancários e coordenação interagências para aprovação de emissores.

Assim como em outras jurisdições, a discussão já não questiona a existência de stablecoins locais, mas o desenho institucional que permitirá sua operação.

À medida que stablecoins passam a ser absorvidas pelo núcleo do sistema financeiro, perde relevância a análise centrada apenas em volumetria ou crescimento de market cap.

O debate atual está na arquitetura macroeconômica, regulatória e bancária global. Projeções que envolvem impacto na dívida pública americana, integração plena em stacks bancárias e disputas sobre captação mostram que a tecnologia alcançou um novo patamar de maturidade.

A questão deixou de ser “se” stablecoins farão parte do sistema. O foco agora é entender como serão integradas, e sob quais limites estruturais.

Nos vemos na próxima edição.

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