Stable News é a curadoria semanal da Lumx dedicada a acompanhar os principais movimentos em stablecoins, infraestrutura digital e o futuro dos pagamentos globais.
As duas últimas semanas marcaram uma aceleração simultânea em múltiplas frentes. O CLARITY Act chega ao seu momento decisivo no Senado americano com markup agendada para 14 de maio, enquanto o ecossistema institucional avança independentemente da conclusão legislativa. Na Consensus Miami, a Anchorage Digital revelou que 20 grandes instituições estão na fila para emitir stablecoins próprias. Na Europa, o consórcio Qivalis formalizou a Fireblocks como infraestrutura para o euro stablecoin de 12 bancos. E a Visa expandiu seu piloto de settlement com USDC para o Canadá com a Wealthsimple.
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CLARITY Act enfrenta dia decisivo no Senado
Em resumo:
Senate Banking Committee realiza markup do CLARITY Act amanhã (14/05), às 10:30 ET
Compromisso Tillis-Alsobrooks sobre yield foi rejeitado pelo lobby bancário em 9 de maio
Se não avançar antes do recesso de 21 de maio, próxima janela legislativa pode ser só em 2030
O CLARITY Act — o projeto de lei que define como ativos digitais serão classificados nos EUA, dividindo jurisdição entre SEC e CFTC — chega ao seu momento mais crítico amanhã. O Senate Banking Committee, presidido pelo senador Tim Scott, agendou a markup para 14 de maio, marcando a primeira votação formal do Senado sobre o projeto após quase um ano de atrasos desde sua aprovação na Câmara com 294 votos em julho de 2025.
O projeto de 309 páginas divulgado pelo comitê no domingo traz o compromisso negociado pelos senadores Tillis e Alsobrooks sobre yield em stablecoins: proíbe rendimento passivo (segurar USDC ou USDT não gera retorno), mas permite recompensas por atividade real na plataforma. A indústria cripto, incluindo Coinbase e Circle, apoiou o acordo.
O problema: três dias antes da markup, os três maiores grupos de lobby bancário dos EUA rejeitaram formalmente o compromisso, alertando que stablecoins drenam depósitos — e cada dólar que migra de uma conta bancária para uma carteira de stablecoin é funding barato que o banco perde. Democratas também ameaçam travar o projeto se não houver cláusula ética sobre oficiais públicos com posições em cripto.
O calendário impõe urgência real. Se o CLARITY Act não avançar antes do recesso de Memorial Day em 21 de maio, senadores como Cynthia Lummis e Bernie Moreno alertaram que a próxima janela viável pode ser somente 2030. A Casa Branca mira assinatura presidencial até 4 de julho. O que é complementar ao GENIUS Act — que já estabelece o arcabouço para emissores de stablecoins e avança na implementação — pode definir se os EUA terão um framework completo para ativos digitais ou se o vácuo regulatório persistirá por mais uma legislatura.
20 bancos e big techs na fila da Anchorage Digital para emitir stablecoins próprias
Em resumo:
CEO da Anchorage revela pipeline de ~20 instituições financeiras e big techs na Consensus Miami
Anchorage ganhou todos os mandatos de emissão de stablecoins grandes desde o GENIUS Act
Parceria com M0 permite que instituições globais mintem stablecoins totalmente configuráveis
Na Consensus Miami, em 7 de maio, Nathan McCauley, CEO da Anchorage Digital — o primeiro banco cripto regulado federalmente nos EUA — revelou que aproximadamente 20 instituições financeiras e grandes empresas de tecnologia estão na fila para emitir suas próprias stablecoins através da plataforma da Anchorage.
O número é expressivo, mas o dado mais revelador é a concentração: desde a aprovação do GENIUS Act, a Anchorage afirma ter conquistado todos os mandatos de emissão de stablecoins de grande porte no mercado. Os clientes incluem desde bancos que buscam objetivos específicos de settlement e tesouraria até emissores com canais de distribuição próprios — como a Western Union, que lançou o USDPT na Solana em 4 de maio via Anchorage para settlement 24/7 com agentes em 40+ países.
Para escalar a demanda, a Anchorage firmou parceria com a M0, provedora de tecnologia que permite que instituições globais mintem stablecoins totalmente configuráveis — a mesma infraestrutura usada por Moonpay e MetaMask. O sinal é claro: emissão de stablecoin institucional não é mais um projeto piloto isolado — é uma corrida competitiva com fila de espera.
12 bancos europeus escolhem Fireblocks para construir euro stablecoin regulado sob MiCA
Em resumo:
Qivalis formaliza Fireblocks como infraestrutura para stablecoin em euro de 12 bancos
99% do market cap de stablecoins é denominado em dólar — euro stablecoins somam apenas US$ 650 milhões
Lançamento previsto para 2º semestre de 2026, com autorização via banco central holandês
O consórcio Qivalis — formado por Banca Sella, BBVA, BNP Paribas, CaixaBank, Danske Bank, DekaBank, DZ BANK, ING, KBC, Raiffeisen, SEB e UniCredit — escolheu a Fireblocks como parceira de infraestrutura para construir a primeira stablecoin em euro emitida por um consórcio bancário regulado sob o MiCA.
A Fireblocks, que processou US$ 6 trilhões em volume de stablecoins em 2025 com crescimento de 300% ano contra ano, fornecerá a plataforma completa de tokenização e gestão de tesouraria. A tokenização usará controles de compliance integrados, screening de AML/KYC e monitoramento de sanções e fraudes embutidos diretamente nos fluxos de transação — tudo desenhado para atender às exigências do MiCA.
O contexto de mercado é o que torna o movimento mais significativo. Apesar do market cap global ultrapassar US$ 305 bilhões, 99% é denominado em dólar. Stablecoins em euro representam apenas US$ 650 milhões. O consórcio Qivalis está, na prática, construindo a resposta europeia ao domínio do dólar digital — com autorização prevista via De Nederlandsche Bank e lançamento no segundo semestre de 2026. Enquanto o BCE debate se stablecoins privadas são um risco, 12 bancos europeus decidiram construir a alternativa.
Fireblocks: 49% das instituições globais já usam stablecoins em pagamentos
Em resumo:
Survey com 295 executivos mostra que 90% das instituições estão usando ou explorando stablecoins
58% dos bancos tradicionais usam para pagamentos cross-border
54% dos não-usuários planejam adotar nos próximos 6 a 12 meses
A Fireblocks publicou seu relatório "State of Stablecoins" baseado em survey com 295 executivos de bancos, instituições financeiras, fintechs e gateways de pagamento — 61% deles C-level. O dado principal: 49% das instituições pesquisadas já usam stablecoins ativamente em pagamentos, 23% estão em fase de piloto e 18% em planejamento. Somados, 90% das instituições estão agindo concretamente sobre stablecoins.
Os dados desagregados por segmento mostram onde a adoção está mais madura: 58% dos bancos tradicionais usam stablecoins especificamente para pagamentos cross-border, seguidos por 28% que usam para aceitar pagamentos. O benefício mais citado foi a velocidade de settlement (48% dos respondentes).
O que conecta o relatório com a realidade de mercado é o dado sobre intenção: 54% das instituições que ainda não usam stablecoins planejam adotar nos próximos 6 a 12 meses. Não estamos mais no ciclo de awareness — estamos no ciclo de execução. Para quem constrói infraestrutura de pagamentos, o pipeline de demanda é mensurável e acelerando.
Visa expande piloto de settlement com stablecoins para o Canadá ao lado da Wealthsimple
Em resumo:
Wealthsimple é a primeira parceira da Visa em settlement com USDC no Canadá
Piloto testa liquidação de transações de cartão de crédito via stablecoin em vez de transferência bancária
Settlement global com stablecoins da Visa atinge run rate anualizado de US$ 7 bilhões, alta de 50% no trimestre
A Visa Canada e a Wealthsimple anunciaram um piloto de settlement com USDC no Canadá — o primeiro do tipo no país. Na prática, funcionários voluntários da Wealthsimple usaram cartões de crédito virtuais em dólar americano para fazer compras, e a liquidação entre Visa e Wealthsimple aconteceu em USDC, em vez de transferência bancária tradicional.
O piloto testa a substituição do ciclo tradicional de 5 dias de settlement por liquidação quase instantânea, 24/7, com custos reduzidos. A Wealthsimple — maior plataforma de investimentos do Canadá — se posiciona como parceira estratégica para validar que o modelo funciona em um mercado regulado fora dos EUA.
O dado macro é o que dimensiona a oportunidade: o programa global de settlement com stablecoins da Visa atingiu um run rate anualizado de US$ 7 bilhões, crescimento de mais de 50% no último trimestre. Com 130+ programas de emissão de cartões com stablecoins em 40+ países, a Visa está construindo a ponte entre o sistema de pagamentos existente e a infraestrutura digital — e o Canadá acaba de entrar no mapa.
As duas últimas semanas consolidam um padrão que não tem mais como ignorar: o debate sobre stablecoins saiu dos whitepapers e entrou no pipeline de produção. São 20 instituições na fila para emitir suas próprias stablecoins, 12 bancos europeus construindo a alternativa ao dólar digital, 49% das instituições globais já operando com stablecoins em pagamentos e a Visa escalando settlement com USDC para novos mercados. Enquanto isso, quinta-feira o Senado americano pode definir se o país terá um framework completo para ativos digitais.
Nos vemos na próxima edição.





