Stable News

49% das instituições globais já usam stablecoins

Anchorage revela fila de 20 bancos para emissão, Qivalis formaliza euro stablecoin com 12 bancos europeus, Fireblocks confirma adoção institucional massiva e Visa expande settlement para o Canadá

Caio Barbosa

Fundador & CO-CEO

Forbes Under 30. Uma das principais vozes em Fintech & Crypto no Brasil. Escreve semanalmente sobre stablecoins, pagamentos e o futuro da infraestrutura financeira na América Latina.

Cover image for Lumx blog article: 49% of global institutions already use stablecoins
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Stable News é a curadoria semanal da Lumx dedicada a acompanhar os principais movimentos em stablecoins, infraestrutura digital e o futuro dos pagamentos globais.

As duas últimas semanas marcaram uma aceleração simultânea em múltiplas frentes. O CLARITY Act chega ao seu momento decisivo no Senado americano com markup agendada para 14 de maio, enquanto o ecossistema institucional avança independentemente da conclusão legislativa. Na Consensus Miami, a Anchorage Digital revelou que 20 grandes instituições estão na fila para emitir stablecoins próprias. Na Europa, o consórcio Qivalis formalizou a Fireblocks como infraestrutura para o euro stablecoin de 12 bancos. E a Visa expandiu seu piloto de settlement com USDC para o Canadá com a Wealthsimple.

Tempo de leitura: 5 minutos

CLARITY Act enfrenta dia decisivo no Senado 

Em resumo:

  • Senate Banking Committee realiza markup do CLARITY Act amanhã (14/05), às 10:30 ET

  • Compromisso Tillis-Alsobrooks sobre yield foi rejeitado pelo lobby bancário em 9 de maio

  • Se não avançar antes do recesso de 21 de maio, próxima janela legislativa pode ser só em 2030

O CLARITY Act — o projeto de lei que define como ativos digitais serão classificados nos EUA, dividindo jurisdição entre SEC e CFTC — chega ao seu momento mais crítico amanhã. O Senate Banking Committee, presidido pelo senador Tim Scott, agendou a markup para 14 de maio, marcando a primeira votação formal do Senado sobre o projeto após quase um ano de atrasos desde sua aprovação na Câmara com 294 votos em julho de 2025.

O projeto de 309 páginas divulgado pelo comitê no domingo traz o compromisso negociado pelos senadores Tillis e Alsobrooks sobre yield em stablecoins: proíbe rendimento passivo (segurar USDC ou USDT não gera retorno), mas permite recompensas por atividade real na plataforma. A indústria cripto, incluindo Coinbase e Circle, apoiou o acordo.

O problema: três dias antes da markup, os três maiores grupos de lobby bancário dos EUA rejeitaram formalmente o compromisso, alertando que stablecoins drenam depósitos — e cada dólar que migra de uma conta bancária para uma carteira de stablecoin é funding barato que o banco perde. Democratas também ameaçam travar o projeto se não houver cláusula ética sobre oficiais públicos com posições em cripto.

O calendário impõe urgência real. Se o CLARITY Act não avançar antes do recesso de Memorial Day em 21 de maio, senadores como Cynthia Lummis e Bernie Moreno alertaram que a próxima janela viável pode ser somente 2030. A Casa Branca mira assinatura presidencial até 4 de julho. O que é complementar ao GENIUS Act — que já estabelece o arcabouço para emissores de stablecoins e avança na implementação — pode definir se os EUA terão um framework completo para ativos digitais ou se o vácuo regulatório persistirá por mais uma legislatura.

20 bancos e big techs na fila da Anchorage Digital para emitir stablecoins próprias

Em resumo:

  • CEO da Anchorage revela pipeline de ~20 instituições financeiras e big techs na Consensus Miami

  • Anchorage ganhou todos os mandatos de emissão de stablecoins grandes desde o GENIUS Act

  • Parceria com M0 permite que instituições globais mintem stablecoins totalmente configuráveis

Na Consensus Miami, em 7 de maio, Nathan McCauley, CEO da Anchorage Digital — o primeiro banco cripto regulado federalmente nos EUA — revelou que aproximadamente 20 instituições financeiras e grandes empresas de tecnologia estão na fila para emitir suas próprias stablecoins através da plataforma da Anchorage.

O número é expressivo, mas o dado mais revelador é a concentração: desde a aprovação do GENIUS Act, a Anchorage afirma ter conquistado todos os mandatos de emissão de stablecoins de grande porte no mercado. Os clientes incluem desde bancos que buscam objetivos específicos de settlement e tesouraria até emissores com canais de distribuição próprios — como a Western Union, que lançou o USDPT na Solana em 4 de maio via Anchorage para settlement 24/7 com agentes em 40+ países.

Para escalar a demanda, a Anchorage firmou parceria com a M0, provedora de tecnologia que permite que instituições globais mintem stablecoins totalmente configuráveis — a mesma infraestrutura usada por Moonpay e MetaMask. O sinal é claro: emissão de stablecoin institucional não é mais um projeto piloto isolado — é uma corrida competitiva com fila de espera.

12 bancos europeus escolhem Fireblocks para construir euro stablecoin regulado sob MiCA

Em resumo:

  • Qivalis formaliza Fireblocks como infraestrutura para stablecoin em euro de 12 bancos

  • 99% do market cap de stablecoins é denominado em dólar — euro stablecoins somam apenas US$ 650 milhões

  • Lançamento previsto para 2º semestre de 2026, com autorização via banco central holandês

O consórcio Qivalis — formado por Banca Sella, BBVA, BNP Paribas, CaixaBank, Danske Bank, DekaBank, DZ BANK, ING, KBC, Raiffeisen, SEB e UniCredit — escolheu a Fireblocks como parceira de infraestrutura para construir a primeira stablecoin em euro emitida por um consórcio bancário regulado sob o MiCA.

A Fireblocks, que processou US$ 6 trilhões em volume de stablecoins em 2025 com crescimento de 300% ano contra ano, fornecerá a plataforma completa de tokenização e gestão de tesouraria. A tokenização usará controles de compliance integrados, screening de AML/KYC e monitoramento de sanções e fraudes embutidos diretamente nos fluxos de transação — tudo desenhado para atender às exigências do MiCA.

O contexto de mercado é o que torna o movimento mais significativo. Apesar do market cap global ultrapassar US$ 305 bilhões, 99% é denominado em dólar. Stablecoins em euro representam apenas US$ 650 milhões. O consórcio Qivalis está, na prática, construindo a resposta europeia ao domínio do dólar digital — com autorização prevista via De Nederlandsche Bank e lançamento no segundo semestre de 2026. Enquanto o BCE debate se stablecoins privadas são um risco, 12 bancos europeus decidiram construir a alternativa.

Fireblocks: 49% das instituições globais já usam stablecoins em pagamentos

Em resumo:

  • Survey com 295 executivos mostra que 90% das instituições estão usando ou explorando stablecoins

  • 58% dos bancos tradicionais usam para pagamentos cross-border

  • 54% dos não-usuários planejam adotar nos próximos 6 a 12 meses

A Fireblocks publicou seu relatório "State of Stablecoins" baseado em survey com 295 executivos de bancos, instituições financeiras, fintechs e gateways de pagamento — 61% deles C-level. O dado principal: 49% das instituições pesquisadas já usam stablecoins ativamente em pagamentos, 23% estão em fase de piloto e 18% em planejamento. Somados, 90% das instituições estão agindo concretamente sobre stablecoins.

Os dados desagregados por segmento mostram onde a adoção está mais madura: 58% dos bancos tradicionais usam stablecoins especificamente para pagamentos cross-border, seguidos por 28% que usam para aceitar pagamentos. O benefício mais citado foi a velocidade de settlement (48% dos respondentes).

O que conecta o relatório com a realidade de mercado é o dado sobre intenção: 54% das instituições que ainda não usam stablecoins planejam adotar nos próximos 6 a 12 meses. Não estamos mais no ciclo de awareness — estamos no ciclo de execução. Para quem constrói infraestrutura de pagamentos, o pipeline de demanda é mensurável e acelerando.

Visa expande piloto de settlement com stablecoins para o Canadá ao lado da Wealthsimple

Em resumo:

  • Wealthsimple é a primeira parceira da Visa em settlement com USDC no Canadá

  • Piloto testa liquidação de transações de cartão de crédito via stablecoin em vez de transferência bancária

  • Settlement global com stablecoins da Visa atinge run rate anualizado de US$ 7 bilhões, alta de 50% no trimestre

A Visa Canada e a Wealthsimple anunciaram um piloto de settlement com USDC no Canadá — o primeiro do tipo no país. Na prática, funcionários voluntários da Wealthsimple usaram cartões de crédito virtuais em dólar americano para fazer compras, e a liquidação entre Visa e Wealthsimple aconteceu em USDC, em vez de transferência bancária tradicional.

O piloto testa a substituição do ciclo tradicional de 5 dias de settlement por liquidação quase instantânea, 24/7, com custos reduzidos. A Wealthsimple — maior plataforma de investimentos do Canadá — se posiciona como parceira estratégica para validar que o modelo funciona em um mercado regulado fora dos EUA.

O dado macro é o que dimensiona a oportunidade: o programa global de settlement com stablecoins da Visa atingiu um run rate anualizado de US$ 7 bilhões, crescimento de mais de 50% no último trimestre. Com 130+ programas de emissão de cartões com stablecoins em 40+ países, a Visa está construindo a ponte entre o sistema de pagamentos existente e a infraestrutura digital — e o Canadá acaba de entrar no mapa.

As duas últimas semanas consolidam um padrão que não tem mais como ignorar: o debate sobre stablecoins saiu dos whitepapers e entrou no pipeline de produção. São 20 instituições na fila para emitir suas próprias stablecoins, 12 bancos europeus construindo a alternativa ao dólar digital, 49% das instituições globais já operando com stablecoins em pagamentos e a Visa escalando settlement com USDC para novos mercados. Enquanto isso, quinta-feira o Senado americano pode definir se o país terá um framework completo para ativos digitais.

Nos vemos na próxima edição.

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