Stable News

Yield, Europa e um novo recorde para as stablecoins

Debate sobre rendimento trava legislação nos EUA, enquanto Europa e Ásia avançam com licenças, pilotos e implementação real

Caio Barbosa

Fundador & CO-CEO

Forbes Under 30. Uma das principais vozes em Fintech & Crypto no Brasil. Escreve semanalmente sobre stablecoins, pagamentos e o futuro da infraestrutura financeira na América Latina.

Cover image for Lumx blog article: Stable News: Yield, Europe, and a New Record for Stablecoins
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Stable News é a curadoria semanal da Lumx dedicada a acompanhar os principais movimentos em stablecoins, infraestrutura digital e o futuro dos pagamentos globais.

A semana trouxe atualizações em múltiplas frentes: o impasse sobre yield nos EUA ganhou novos capítulos com posições opostas da Casa Branca e do setor bancário, a Europa entrou em fase de execução prática, o supply de stablecoins no Ethereum bateu recorde histórico e Hong Kong e Suíça registraram marcos regulatórios significativos.

O que se observa é uma descentralização geográfica do progresso  enquanto Washington debate, outras jurisdições constroem.

Tempo de leitura: 5 minutos

Casa Branca publica estudo que enfraquece argumento bancário contra o yield — e bancos rebatem no dia seguinte

Em resumo:

  • Relatório do Council of Economic Advisers conclui que proibir yield traz benefício marginal de 0,02% no crédito bancário

  • ABA critica a metodologia e alerta para risco de fuga de depósitos em bancos menores

  • Debate sobre yield segue como principal entrave do CLARITY Act enquanto GENIUS Act já avança na regulamentação

O debate sobre yield em stablecoins, que temos acompanhado desde a edição #119, ganhou dois capítulos na mesma semana. A Casa Branca publicou um estudo do Council of Economic Advisers mostrando que proibir yield em stablecoins geraria um aumento de apenas US$ 2,1 bilhões em crédito bancário — o equivalente a 0,02% do volume total de empréstimos, com um custo líquido de US$ 800 milhões em bem-estar para o consumidor. O estudo vai direto no argumento central dos bancos: o de que stablecoins com yield drenariam depósitos e enfraqueceriam a capacidade de crédito.

A resposta não demorou. A American Bankers Association rebateu publicamente, argumentando que a Casa Branca fez a pergunta errada. Segundo os economistas da ABA, Sayee Srinivasan e Yikai Wang, o risco real não está no impacto agregado sobre o crédito, mas na fuga de depósitos de bancos comunitários para instituições maiores — encarecendo o funding local. A ABA citou ainda estimativa do Tesouro de até US$ 6,6 trilhões em saídas de depósitos caso stablecoins com yield sejam permitidas.

Para quem acompanha de fora, vale contextualizar: nos EUA, duas legislações caminham em paralelo. O GENIUS Act, sancionado em julho de 2025, já estabelece o arcabouço prudencial para emissores de stablecoins, reservas, capital, resgate, e nesta mesma semana o FDIC aprovou sua proposta de regulamentação operacional. O CLARITY Act, por sua vez, trata da classificação mais ampla de ativos digitais e é onde o tema do yield está sendo negociado. Enquanto o GENIUS Act avança na fase de implementação, o CLARITY Act segue travado justamente nesse impasse sobre se emissores podem ou não remunerar detentores de stablecoins. São projetos complementares, mas em estágios muito diferentes de maturidade.

O fato de a Casa Branca publicar um estudo que favorece a posição da indústria cripto sinaliza para onde o vento político sopra neste momento — mas o consenso ainda está longe.

Bancos e corporates europeus saem da teoria e entram em fase de seleção de parceiros para stablecoins

Em resumo:

  • Empresas com aprovação de board iniciam implementação prática de infraestrutura de stablecoins

  • Volume de USDC na Europa cresceu 109% e market share saltou de 13% para 32%

  • Consórcios como Qivalis (ING, UniCredit, CaixaBank, BBVA) e novas iniciativas de stablecoins em euro e franco suíço avançam

Há 18 meses, as conversas entre bancos europeus e provedores de infraestrutura de stablecoins eram predominantemente educacionais. Agora, segundo Lamine Brahimi, cofundador da Taurus, "a conversa se tornou muito mais imediata e muito mais prática", com empresas que já têm aprovação de board selecionando parceiros para implementações ao vivo.

Os dados confirmam o movimento. Na plataforma Paybis, o volume de USDC na União Europeia cresceu cerca de 109% entre outubro de 2025 e março de 2026, com market share saltando de 13% para 32%. O volume de compradores superou o de vendedores em 5 a 6 vezes, com transações 15-35% maiores do que operações com Bitcoin ou Ethereum.

O impulso regulatório é claro: o MiCA substituiu regras nacionais fragmentadas por um framework unificado, o que reduziu a incerteza que travava decisões. Na prática, isso destravou uma série de iniciativas: a ClearBank Europe tornou-se a primeira instituição de crédito holandesa aprovada sob MiCA, o consórcio Qivalis (ING, UniCredit, CaixaBank, BBVA) avança com um euro stablecoin, e a Société Générale já opera um euro stablecoin na Stellar. Para 2026, uma stablecoin lastreada em franco suíço com ING, UniCredit e BNP Paribas está prevista para o segundo semestre.

Quando Will Harborne, CEO da Rhino.fi, diz que

"toda empresa eventualmente vai aceitar e usar stablecoins de alguma forma"

não é projeção de longo prazo, é leitura do que já está acontecendo no terreno europeu.

Supply de stablecoins no Ethereum bate recorde de US$ 180 bilhões — alta de 150% em três anos

Em resumo:

  • Ethereum concentra 60% do supply global de stablecoins

  • Projeção aponta US$ 850 bilhões em novos fluxos até 2030 se ritmo se mantiver

  • BlackRock, JPMorgan e Amundi lançam produtos tokenizados na rede

O valor total de stablecoins no Ethereum atingiu US$ 180 bilhões, um recorde histórico que representa crescimento de 150% nos últimos três anos. A rede concentra cerca de 60% do supply global de stablecoins, número que sobe para mais de 65% quando incluídas as Layer 2 como Arbitrum, ZKsync Era e Base.

O dado vai além de volumetria. A Token Terminal projeta que, se o crescimento atual de 470% se mantiver, as redes receberão aproximadamente US$ 850 bilhões em novos fluxos até 2030, com US$ 1,7 trilhão em transações ao longo dos próximos quatro anos. O Standard Chartered, como abordamos na edição #119, já havia projetado que mais de US$ 1 trilhão poderia sair de bancos em direção a stablecoins até 2028.

O que sustenta essa concentração no Ethereum é a adoção institucional. BlackRock, JPMorgan (que lançou o fundo tokenizado MONY em dezembro) e Amundi já operam produtos tokenizados diretamente na rede. Como observou Nick Ruck, diretor da LVRG Research, o momento "suporta fortemente um ciclo de alta sustentado de longo prazo impulsionado por ativos tokenizados", embora desafios regulatórios e a competição de redes rivais permaneçam como variáveis.

Hong Kong concede primeiras licenças de stablecoin a HSBC e consórcio liderado pelo Standard Chartered

Em resumo:

  • HKMA emite as duas primeiras licenças sob o Stablecoins Ordinance

  • HSBC integrará stablecoin em HKD diretamente no PayMe e app bancário

  • Anchorpoint (Standard Chartered + Animoca) adota modelo B2B2C

Hong Kong concedeu suas primeiras licenças de emissão de stablecoins em 10 de abril, para HSBC e Anchorpoint Financial (consórcio liderado pelo Standard Chartered com a Animoca Brands). As aprovações foram emitidas pela HKMA sob o Stablecoins Ordinance, em vigor desde agosto de 2025, entre 36 candidatos.

O detalhe mais significativo: HSBC anunciou que sua stablecoin em HKD será integrada diretamente ao PayMe e ao app do HSBC HK, com foco em pagamentos cotidianos — P2P, P2M e investimentos tokenizados. Já a Anchorpoint seguirá modelo B2B2C, distribuindo via parceiros autorizados.

Os dois bancos licenciados são também dois dos três bancos autorizados a imprimir notas de dólar de Hong Kong, um sistema que remonta a 1846. Quando os mesmos bancos que imprimem a moeda física de um território passam a emitir sua versão digital regulada, o sinal institucional é inequívoco.

Seis bancos suíços lançam sandbox para stablecoin em franco suíço

Em resumo:

  • UBS, PostFinance, Raiffeisen, ZKB, Sygnum e BCV iniciam piloto conjunto

  • Sandbox roda em Ethereum (ERC-20) e testa liquidação atômica e smart contracts

  • Resultados alimentarão propostas de alteração na legislação financeira suíça

Na mesma semana, seis dos maiores bancos da Suíça, UBS, PostFinance, Zürcher Kantonalbank, Raiffeisen, Sygnum e Banque Cantonale Vaudoise — lançaram um sandbox para testar uma stablecoin lastreada em franco suíço. O piloto, operado pela Swiss Stablecoin AG, roda em Ethereum e funcionará até o final de 2026.

O modelo colaborativo chama atenção. Em vez de competir individualmente, os bancos escolheram construir infraestrutura compartilhada, testando liquidação atômica, integração blockchain-banking e smart contracts dentro de um framework que aceita a entrada de novas instituições.

Os resultados do piloto devem alimentar diretamente propostas de alteração na Financial Institutions Act (FinIA), criando a base legal para stablecoins bancárias reguladas na Suíça. É um caso interessante de jurisdição que usa experimentação controlada para informar regulação, não o contrário.

Os movimentos desta semana reforçam um padrão cada vez mais definido: o avanço das stablecoins não depende mais de uma única jurisdição ou de um único ator. Regulação, infraestrutura e adoção avançam em paralelo em diferentes regiões, criando um sistema cada vez mais distribuído e funcional. 

Até a próxima edição.

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