Stable News

O ponto de virada? Stablecoins ganham força entre bancos, governos e gigantes dos pagamentos

Como a integração entre mercado, política e infraestrutura está definindo os novos padrões da economia digital

Caio Barbosa

Fundador & CO-CEO

Forbes Under 30. Uma das principais vozes em Fintech & Crypto no Brasil. Escreve semanalmente sobre stablecoins, pagamentos e o futuro da infraestrutura financeira na América Latina.

Imagem de capa para o artigo do blog Lumx: O ponto de virada? As stablecoins ganham força entre bancos, governos e gigantes de pagamentos.
Imagem de capa para o artigo do blog Lumx: O ponto de virada? As stablecoins ganham força entre bancos, governos e gigantes de pagamentos.

A Stable News é a curadoria semanal da Lumx com os principais acontecimentos sobre stablecoins e seus impactos no sistema financeiro global. Nesta edição, acompanhamos como bancos, empresas de remessas, reguladores e plataformas institucionais estão não apenas adotando stablecoins, mas moldando suas regras de funcionamento e camadas de integração. Dos EUA ao Brasil, o que está em jogo é quem define os trilhos da nova liquidação digital.

Tempo de leitura: 5 minutos

Trump sanciona primeira lei federal sobre stablecoins: GENIUS Act redefine regras do jogo

O Congresso americano aprovou e o presidente Donald Trump sancionou o GENIUS Act, a primeira lei federal voltada exclusivamente para stablecoins. A legislação impõe exigências de reservas 100% líquidas, transparência mensal e novas regras de governança para emissores, além de proibir stablecoins algorítmicas não lastreadas.

A lei inaugura um novo momento para o setor nos EUA, com respaldo institucional para emissores como Circle e um empurrão regulatório que pode atrair bancos, fintechs e grandes empresas para o ecossistema. A legislação também marca um ponto de inflexão político, com apoio bipartidário e interesse direto do próprio presidente — que busca consolidar os EUA como hub global de criptoativos.

Por que isso importa:

✅ Estabelece padrões mínimos de transparência, lastro e estrutura legal para emissores de stablecoins.
✅ Reforça o dólar como pilar da economia digital, estimulando a demanda por títulos públicos americanos.
✅ Cria terreno fértil para a adoção institucional de stablecoins por bancos e empresas de tecnologia.

Western Union prepara integração com stablecoins e negocia parcerias cripto

A Western Union anunciou planos de integrar stablecoins em sua infraestrutura de pagamentos internacionais. Em entrevista à Bloomberg, o CEO Devin McGranahan destacou três frentes principais: liquidação cross-border com stablecoins, conversão entre moedas fiduciárias e digitais, e uso como reserva de valor em economias instáveis.

A movimentação vem na esteira do GENIUS Act e revela como empresas tradicionais estão reagindo à nova clareza regulatória. A Western Union já havia testado parcerias com a Ripple no passado, mas agora indica um salto estratégico em direção à adoção prática de stablecoins em grande escala.

Por que isso importa:

✅ Empresas de remessa se reposicionam como players de infraestrutura digital em um mercado que passa por disrupção.
✅ A regulação nos EUA abre espaço para que bancos e incumbentes adotem stablecoins sem barreiras jurídicas.
✅ Confirma a tendência de stablecoins como solução pragmática em regiões com alta volatilidade cambial.

BitGo prepara IPO e sinaliza consolidação da custódia institucional em cripto

A BitGo, uma das maiores custodians de ativos digitais, apresentou um pedido confidencial para abertura de capital junto à SEC. A empresa administra mais de US$ 100 bilhões em ativos e atua com foco em custódia, liquidação e infraestrutura para clientes institucionais.

A decisão de abrir capital acompanha o movimento de outras empresas do setor, como Circle e eToro, e sinaliza a crescente institucionalização do mercado. A BitGo também obteve licença MiCA na Europa e participa ativamente de debates regulatórios nos EUA, posicionando-se como elo entre o sistema bancário tradicional e o ecossistema digital.

Por que isso importa:

✅ O boom institucional das stablecoins impulsiona a demanda por infraestrutura segura e regulada.
✅ O IPO da BitGo fortalece a narrativa de maturidade e transparência no setor de ativos digitais.
✅ A presença em fóruns regulatórios reforça o papel de custodians como peças-chave na nova arquitetura monetária.

Citi apresenta estratégia de stablecoin e depósitos tokenizados

Durante sua última earnings call, o Citi revelou planos para emitir sua própria stablecoin em consórcio com outros bancos e expandir o uso de depósitos tokenizados como camada de liquidação onchain. A CEO Jane Fraser destacou quatro frentes: ramps institucionais, gestão de reservas, tokenização e participação em consórcios.

Em paralelo, um novo whitepaper do Citi mostra que 65% dos participantes do mercado pretendem usar stablecoins, depósitos tokenizados ou sistemas digitais para liquidação de ativos até 2026, superando pela primeira vez as expectativas de uso de CBDCs.

Por que isso importa:

✅ Bancos começam a construir seus próprios trilhos digitais, com modelos mais fechados e interoperáveis.
✅ Depósitos tokenizados se consolidam como alternativa viável e regulada para liquidação em tempo real.
✅ A clareza regulatória acelera o interesse institucional em soluções onchain para tesouraria e mercado secundário.

Novo report da ABToken mostra crescimento orgânico do mercado brasileiro de stablecoins

Um estudo recente da ABToken revelou que 76% das transações com stablecoins no Brasil ocorrem entre pares, fora das exchanges. O relatório também destaca que mais de 9 milhões de brasileiros movimentaram stablecoins no último ano, com destaque para Tether (USDT), que responde por 83% do volume.

Apesar da dominância de emissores internacionais, o ecossistema brasileiro já conta com iniciativas locais relevantes. O estudo alerta para os riscos de dependência tecnológica e chama atenção para a necessidade de uma política industrial que considere stablecoins como infraestrutura estratégica.

Por que isso importa:

✅ O uso de stablecoins no Brasil já vai além da especulação, com aplicações em pagamentos, remessas e reserva de valor.
✅ A ausência de emissores locais limita a captura de valor, interoperabilidade e alinhamento regulatório.
✅ O momento é propício para discutir modelos públicos e privados de stablecoins interoperáveis com o sistema financeiro nacional.

De Washington a São Paulo, passando por instituições financeiras globais, o que vemos nesta edição é o aprofundamento de uma tendência: stablecoins estão saindo do campo das promessas e se consolidando como infraestrutura crítica da economia digital. O foco não está mais apenas na emissão, mas na governança, interoperabilidade e integração com os fluxos financeiros reais.

Entender quem está construindo, regulando e utilizando essas novas camadas monetárias é entender para onde caminha o sistema financeiro global nos próximos anos.

Nos vemos na próxima edição. Uma ótima semana e até breve.

  • What is the GENIUS Act and why is it a turning point for stablecoins?

    The GENIUS Act is the first federal law in the US dedicated exclusively to stablecoins, signed by President Trump with bipartisan support. It requires 100% liquid reserves, monthly transparency reports, and new governance rules for issuers while banning unbacked algorithmic stablecoins. It marks a pivotal shift by providing institutional clarity that enables banks, fintechs, and large corporations to adopt stablecoins.

  • Is Western Union integrating stablecoins into its remittance services?

    Western Union is preparing to integrate stablecoins into its operations and eyeing crypto partnerships to modernize its remittance infrastructure. This move by one of the world's largest money transfer companies signals that even legacy players recognize stablecoins as the future of cross-border payments — a market where traditional fees of 5-10% are being challenged by crypto alternatives operating below 1%.

  • How are stablecoins gaining momentum among banks and governments simultaneously?

    A convergence is happening where banks are integrating stablecoins into their core operations for settlement and collateral, while governments are creating regulatory frameworks and even issuing their own state-backed stablecoins. This simultaneous adoption from both private and public sectors indicates a turning point where stablecoins are transitioning from experimental technology to essential financial infrastructure.

  • How is Brazil advancing in stablecoin regulation?

    Brazil's Central Bank has taken the lead in Latin America by launching public consultations on virtual asset regulation, including stablecoins. The process covers supervision of service providers and conditions under which stablecoins operate within the country's FX framework. Clearer regulatory outcomes are expected by end of 2025, positioning Brazil as a model for how emerging markets can integrate stablecoin innovation with existing financial regulations.

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