Stable News é a curadoria semanal da Lumx, dedicada a acompanhar os principais movimentos em stablecoins, infraestrutura digital e o futuro dos pagamentos globais.
Esta edição marca o encerramento do ano com uma proposta diferente do ritmo semanal tradicional. Em vez de se concentrar apenas nos acontecimentos recentes, o foco está em organizar os principais sinais que 2025 revelou em adoção, regulação, infraestrutura e captura real de valor, e em como esse pano de fundo começa a moldar 2026. Menos anúncios pontuais, mais leitura de ciclo.
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Um giro pela Lumx
Se 2025 deixou algo claro, foi a transição definitiva do debate sobre stablecoins do campo conceitual para o campo operacional. Ao longo do ano, o tema saiu de apresentações exploratórias e passou a ocupar mesas de decisão, com perguntas cada vez mais práticas: como estruturar, como integrar, como operar dentro das regras e como escalar sem fricção.
Na Lumx, esse movimento ficou evidente. O que antes era tratado como “potencial” passou a se tornar uma agenda contínua de infraestrutura real, envolvendo pagamentos, liquidação, tesouraria, compliance e integração com sistemas legados. Ao longo do ano, o mercado foi acompanhado de perto, tanto nas discussões regulatórias quanto em projetos concretos que efetivamente entraram em produção.
Também ficou claro que 2025 não foi um ano de grandes viradas isoladas, mas de acúmulo silencioso: avanços institucionais, maior clareza jurídica, times internos mais sofisticados e decisões tomadas com menos ruído e mais critério. O foco se afastou do hype e se aproximou da engenharia do sistema.
O recap publicado nesta semana nasce exatamente dessa leitura. Ele organiza os principais marcos, aprendizados e sinais que atravessaram o ano, não como um balanço de conquistas, mas como um mapa do que foi construído e do que passa a ser possível a partir disso. É a fotografia de um ecossistema que amadureceu e começa a sustentar movimentos mais amplos em 2026.
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O mercado de stablecoins ultrapassa US$ 310 bilhões e expõe a adoção real do cripto
O mercado global de stablecoins atingiu US$ 310 bilhões em dezembro de 2025, crescendo cerca de 70% em apenas um ano. Mais do que o tamanho absoluto, esse patamar ajuda a esclarecer onde o uso real de cripto acontece hoje: em ativos estáveis voltados a pagamentos, liquidação e tesouraria.
USDT e USDC concentram aproximadamente 80% da atividade transacional, um indicativo de que adoção está mais ligada a confiança, liquidez e efeito de rede do que à novidade tecnológica. Stablecoins já funcionam como o “caixa” do ecossistema cripto, respondendo pela maior parte do volume em exchanges e fluxos on-chain.
Fora do trading, o crescimento se manifesta de forma ainda mais clara em remessas, pagamentos cross-border e proteção contra inflação em mercados emergentes. Em vez de substituir bancos, stablecoins ocupam espaços onde a infraestrutura tradicional é lenta, cara ou inacessível.
Por que isso importa:
✅ Stablecoins se consolidam como principal vetor de adoção real do cripto
✅ Uso transacional passa a ser mais relevante que market cap isolado
✅ Infraestrutura tradicional começa a ser contornada, não confrontada
Executivos projetam 2026 como o ano da infraestrutura invisível
Ao ouvir executivos de diferentes áreas do ecossistema, um consenso emerge para 2026: stablecoins deixam de ser “produtos cripto” e passam a operar como infraestrutura básica, cada vez menos visível para o usuário final.
A expectativa é que a regulação funcione como catalisador, permitindo que bancos, fintechs e grandes plataformas integrem stablecoins diretamente a seus sistemas de pagamento, liquidação e tesouraria. Em paralelo, cresce a leitura de que o mercado tende à consolidação, com poucos emissores amplamente aceitos.
Nem todos os pontos são consensuais. Alguns alertam para fragmentação regulatória, riscos associados a produtos de yield mal compreendidos e para a possível ascensão de depósitos tokenizados como concorrentes diretos das stablecoins. Ainda assim, a visão predominante é de transição da experimentação para a escala.
Por que isso importa:
✅ 2026 tende a marcar a virada das stablecoins como “plumbing financeiro”
✅ Regulação passa a acelerar, e não frear, a inovação
✅ Consolidação e diferenciação institucional ganham peso estratégico
BlackRock distribui US$ 100 milhões em yield com fundo tokenizado
O fundo tokenizado da BlackRock, o BUIDL, ultrapassou US$ 100 milhões em dividendos pagos desde o lançamento, utilizando títulos do Tesouro americano como lastro. Os rendimentos são distribuídos diretamente on-chain, replicando funções clássicas de um money market fund em infraestrutura blockchain.
Mais relevante que o volume absoluto é o aspecto operacional: liquidação, custódia e distribuição funcionando em escala institucional, com ativos tradicionais. O fundo já superou US$ 2 bilhões em ativos e se expandiu para múltiplas blockchains.
O avanço reacende o debate sobre a relação entre stablecoins e ativos tokenizados. Para alguns, são concorrentes; para outros, camadas complementares de liquidez e colateral.
Por que isso importa:
✅ Tokenização prova viabilidade com ativos tradicionais e yield real
✅ Infraestrutura on-chain sustenta produtos financeiros clássicos
✅ A fronteira entre cripto e TradFi torna-se cada vez mais operacional
Velocidade revela quem realmente dominou o mercado de stablecoins em 2025
Em 2025, métricas de velocidade, quantas vezes um token muda de mãos, mostraram-se mais reveladoras do que market cap para entender o mercado de stablecoins.
USDT liderou com folga, seguido por RLUSD e USDC, indicando forte uso transacional e institucional. Outros tokens, como USD1, cresceram rapidamente, enquanto ativos como USDS e USDe cumpriram funções mais específicas, ligadas a poupança, colateral ou estratégias de yield.
O dado reforça uma distinção central: algumas stablecoins funcionam como dinheiro circulante, enquanto outras operam como instrumentos financeiros especializados.
Por que isso importa:
✅ Velocidade se consolida como métrica-chave de uso econômico
✅ Valor real é definido pelo uso, não apenas pela oferta
✅ Diferentes stablecoins cumprem papéis distintos no sistema
VCs apontam stablecoins e incumbentes como vencedores de 2025
Para investidores de venture capital, 2025 foi o ano em que o valor migrou para onde havia clareza regulatória e execução disciplinada. Incumbentes que aguardaram o ambiente certo para avançar, como Robinhood, e empresas ligadas a stablecoins foram citadas como grandes vencedoras.
Stablecoins passaram a ser vistas não apenas como infraestrutura cripto, mas como negócios resilientes, com geração de caixa, uso recorrente e demanda estrutural. Em paralelo, o ano marcou o encerramento simbólico de ciclos problemáticos do passado, com modelos e figuras que não sobreviveram ao novo ambiente regulatório.
A leitura dos VCs é direta: quando o jogo fica mais claro, o capital se move para quem sabe operar dentro das regras.
Por que isso importa:
✅ Clareza regulatória redefine vencedores e perdedores
✅ Stablecoins emergem como negócios centrais
✅ Execução supera narrativa em ciclos de maturidade
O pano de fundo de 2025 deixa uma mensagem clara. Stablecoins não são mais uma promessa futura nem um experimento de nicho. Elas se estabeleceram como uma camada funcional do sistema financeiro digital, conectando cripto, bancos, plataformas e mercados globais.
Se 2025 foi sobre consolidação e prova de utilidade, 2026 começa com uma nova pergunta: quem está preparado para operar essa infraestrutura em escala, com eficiência e dentro das regras?
Nos vemos no próximo ano. 💜





