Stable News é a curadoria semanal da Lumx dedicada a acompanhar os principais movimentos em stablecoins, infraestrutura digital e o futuro dos pagamentos globais.
Nas últimas semanas, a discussão sobre stablecoins foi marcada por projeções de escala, avanços regulatórios, disputas com bancos, posicionamentos institucionais e questionamentos estruturais sobre o modelo atual. Esta edição, no entanto, foge do formato tradicional. Não porque as notícias tenham perdido relevância, mas porque elas apontam para um deslocamento mais profundo na natureza da conversa.
Tempo de leitura: 06 minutos
Quando a conversa amadurece, o problema muda
Durante muito tempo, stablecoins foram tratadas como uma tese. Algo que precisava ser explicado, defendido e contextualizado. A pergunta central era simples: isso faz sentido?
Esse estágio começa a ficar para trás. O debate deixa de ser territorial sobre legitimidade ou viabilidade e passa a ser operacional. A conversa agora ocorre em outro nível: onde essas estruturas já operam dentro de fluxos regulados, como convivem com sistemas legados, quais riscos são efetivos e quais decorrem de assimetrias de informação ou de desenho inadequado.
Esse deslocamento não é trivial. Ele reflete um momento em que stablecoins deixam de ser analisadas como produto ou inovação isolada e passam a ser tratadas como infraestrutura financeira. E, como toda infraestrutura, o valor não está na narrativa, mas no fluxo: quem opera, quem aprova, quem liquida, quem carrega risco e quem responde quando algo sai do esperado.
É justamente nesse ponto que muitas discussões emperram. Não por limitação tecnológica, mas porque decisões de infraestrutura exigem clareza, coordenação e maturidade organizacional, atributos que vão muito além do discurso sobre inovação.
O verdadeiro gargalo não é tecnologia
Ao longo do último ano, em conversas com bancos, fintechs e instituições de pagamento, uma pergunta se repetiu com variações mínimas:
“Stablecoins fazem sentido, mas por onde começar? Quais são as implicações legais?”
Essa dúvida expõe mais do que uma lacuna técnica. Ela revela um desalinhamento interno recorrente. Enquanto o tema avança no nível estratégico, a implementação recai sobre estruturas que precisam responder a compliance, controles, auditoria e continuidade operacional.
As instituições que conseguiram avançar foram aquelas que inverteram a lógica tradicional da inovação. Em vez de começar pela tecnologia, começaram pela governança. Antes de discutir rails, discutiram responsabilidades. Antes de falar em eficiência, mapearam pontos de falha. Antes de integrar sistemas, desenharam fluxos financeiros claros e rastreáveis.
Onde a discussão permaneceu travada, o padrão também foi consistente: medo de errar, excesso de abstração e dificuldade de trazer times de risco, compliance e operação para o centro da conversa. O resultado não foi cautela saudável, mas paralisia decisória.
Nesse contexto, stablecoins deixam de ser um tema de inovação e passam a funcionar como um teste de maturidade organizacional.
Conversas que não cabem em palco
Foi a partir dessa constatação que a Lumx passou a conduzir, ao longo do último ano, discussões técnicas diretamente dentro de instituições financeiras por meio do Lumx In Company.
Sem palco, sem pitch comercial e sem apresentações genéricas. Apenas times de operação, produto, risco, compliance e estratégia discutindo implementação real. Essas conversas aconteceram com instituições como Banco Inter, Banco do Brasil, Banco Arbi, Ouribank e dLocal, além de associações como ABBC e Febraban.
O acúmulo dessas experiências, somado às demandas crescentes observadas no mercado, levou ao próximo passo.

Lumx In Company – Online
Esta edição especial também é um convite.
O Lumx In Company – Online não foi desenhado para discutir se stablecoins fazem sentido. Esse debate já foi vencido pelo mercado, pela regulação e pela adoção institucional. O foco aqui é outro: como implementar, onde faz sentido avançar agora e onde ainda não.
Trata-se de um encontro fechado, técnico e pragmático, voltado a profissionais diretamente envolvidos em decisões de infraestrutura financeira. A proposta é sair do plano conceitual e discutir, com base em dados e casos concretos, temas como:
Desenho de fluxos financeiros
Integração com sistemas legados
Governança e risco operacional
Estruturação de compliance
Capacitação de times internos
Pela primeira vez, esse formato está sendo levado para o ambiente online, mantendo o mesmo rigor curatorial aplicado nas edições presenciais realizadas ao longo do último ano.
Informações do encontro:
Data: 5 de fevereiro
Horário: 18h às 20h
Modalidade: Online
Até 3 participantes por empresa (envolvidos em decisões de infraestrutura)
Máximo de 100 participantes (confirmações por ordem de inscrição)
Inscreva-se aqui
Leitura complementar da semana
Para quem deseja acompanhar os principais movimentos recentes do mercado:
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O momento é claro: stablecoins caminham para se tornar infraestrutura crítica. E toda infraestrutura crítica, em algum ponto, exige decisões maduras.
Mais do que entender o tema, a pergunta agora é quem está preparado para implementá-lo corretamente.
Nos vemos na próxima edição. 💜





