Stable News é a curadoria semanal da Lumx, dedicada a acompanhar os principais movimentos em stablecoins, infraestrutura digital e o futuro dos pagamentos globais.
Ainda na esteira das expectativas para 2026, exploradas na edição anterior, esta semana ajuda a transformar projeções em sinais mais concretos. Entre estratégias de grandes players, mudanças na estrutura de mercado e dados de uso em escala, o pano de fundo converge para um mesmo ponto: menos dependência de ciclos clássicos e mais pressão por infraestrutura capaz de operar sob padrões institucionais.
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Investidores redesenham o playbook cripto para 2026 além do halving
Após um 2025 marcado por volatilidade e retornos abaixo das expectativas de parte do mercado, analistas começam a revisar a forma como os ciclos cripto são interpretados. Embora o Bitcoin tenha seguido, em parte, o comportamento histórico pós-halving, não houve um efeito cascata consistente para altcoins, levantando questionamentos sobre a validade dos modelos tradicionais.
Nesse contexto, ganha força a leitura de que o capital institucional está alterando a dinâmica do mercado. Com horizontes de investimento mais longos e mandatos mais restritos, esses investidores tendem a priorizar ativos e setores com relevância estrutural, em detrimento de narrativas puramente cíclicas. Bitcoin, stablecoins e ativos tokenizados emergem como pilares dessa próxima fase.
A expectativa predominante é que 2026 marque uma transição: menos foco em narrativas de curto prazo e maior atenção a camadas de infraestrutura capazes de sustentar adoção real.
Por que isso importa:
✅ O mercado começa a questionar a centralidade do ciclo de quatro anos
✅ Capital institucional favorece temas estruturais e de longo prazo
✅ Stablecoins e tokenização passam a ser vistas como infraestrutura estratégica
Coinbase aposta em stablecoins e pagamentos como eixo de crescimento em 2026
Brian Armstrong afirmou que a Coinbase pretende acelerar sua atuação em stablecoins, pagamentos e adoção on-chain ao longo de 2026. A ambição declarada é posicionar a empresa como um dos principais aplicativos financeiros globais, expandindo sua atuação para além do trading.
A estratégia inclui investimentos em automação, evolução de produto e expansão do ecossistema Base, a layer-2 da empresa. O objetivo é reduzir fricções para usuários finais e integrar stablecoins e tokenização a fluxos financeiros mais amplos, como delivery-versus-payment e liquidação institucional.
Embora as metas sejam consideradas ambiciosas no curto prazo, analistas reconhecem que a Coinbase ocupa uma posição central como on-ramp regulado, com forte capacidade em infraestrutura, custódia e integração com o sistema financeiro tradicional.
Por que isso importa:
✅ Grandes plataformas passam a tratar stablecoins como core business
✅ A disputa migra de trading para pagamentos e infraestrutura
✅ A adoção depende menos de hype e mais de UX e integração regulada
2026 deve redefinir a estrutura dos mercados cripto
Especialistas apontam que 2026 pode ser o ano em que os mercados cripto precisarão demonstrar resiliência estrutural. O episódio de liquidações de outubro de 2025, quando bilhões de dólares foram eliminados em poucas horas, expôs fragilidades que o capital institucional tende a não tolerar.
Com a implementação do MiCA na Europa, avanços regulatórios na Ásia e a expectativa de maior clareza nos Estados Unidos, o foco regulatório começa a se deslocar de licenciamento básico para temas como governança, gestão de risco e estrutura de mercado.
A tendência é de concentração de liquidez em menos venues, com padrões mais elevados de execução, profundidade e controle operacional. A pergunta central deixa de ser “quem pode operar” e passa a ser “quem consegue operar em escala e sob estresse”.
Por que isso importa:
✅ Regulação passa a exigir infraestrutura de nível institucional
✅ Liquidez tende a se concentrar em menos plataformas
✅ Resiliência operacional torna-se fator decisivo de sobrevivência
Gastos com cartões cripto da Visa crescem mais de 500% em 2025
Dados da Dune Analytics mostram que o gasto líquido em cartões cripto emitidos em parceria com a Visa cresceu 525% em 2025, saltando de US$ 14,6 milhões para mais de US$ 91 milhões. Projetos ligados a DeFi e pagamentos lideraram esse crescimento, com forte integração a stablecoins.
Os números indicam que, enquanto o mercado debate ciclos e regulação, usuários já utilizam cripto e stablecoins para consumo cotidiano. Para a Visa, o avanço reforça a decisão de investir em infraestrutura, parcerias e serviços de consultoria focados em stablecoins.
Os cartões funcionam como uma camada de abstração: o usuário paga em moeda local, enquanto a liquidação ocorre sobre rails cripto, muitas vezes de forma invisível.
Por que isso importa:
✅ Stablecoins chegam ao varejo sem fricção para o usuário
✅ Infraestrutura híbrida acelera adoção sem ruptura
✅ Pagamentos reais validam o uso além do trading
Ethereum liquida US$ 8 trilhões em stablecoins e reforça papel como rail global
O Ethereum processou mais de US$ 8 trilhões em transferências de stablecoins no quarto trimestre de 2025, quase o dobro do volume registrado no segundo trimestre do ano. O crescimento veio acompanhado de recordes em endereços ativos e número de transações diárias.
Além de liderar a liquidação de stablecoins, o Ethereum segue como a principal camada para tokenização de ativos do mundo real, concentrando a maior parte do valor on-chain desse segmento. Mesmo diante da competição de outras redes, a combinação de liquidez, segurança e compatibilidade institucional sustenta sua posição dominante.
Os dados reforçam a leitura de que stablecoins já operam como um sistema global de pagamentos on-chain, independentemente de integrações futuras com redes tradicionais.
Por que isso importa:
✅ Stablecoins já operam em escala comparável a sistemas tradicionais
✅ Ethereum se consolida como principal rail de liquidação institucional
✅ A infraestrutura está pronta antes da adoção plena
O conjunto desta semana reforça uma mensagem clara: 2026 não será definido por um novo ciclo narrativo, mas pela capacidade do ecossistema de operar com profundidade, resiliência e integração institucional.
Bitcoin, stablecoins e ativos tokenizados permanecem no centro da conversa — não como apostas especulativas, mas como componentes de uma infraestrutura que começa a ser exigida, e não apenas experimentada.
Até a próxima edição.





