Em processo de adequação ao regime das SPSAV, na modalidade de intermediária de ativos virtuais, nos termos da Resolução BCB nº 520/2025 (regime de transição do art. 88)

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Stable News

USDC vai estampar a camisa do Chelsea

Circle fecha patrocínio enquanto Reino Unido e Singapura mudam de posição

Caio Barbosa

Fundador & CO-CEO

Forbes Under 30. Uma das principais vozes em Fintech & Crypto no Brasil. Escreve semanalmente sobre stablecoins, pagamentos e o futuro da infraestrutura financeira na América Latina.

Imagem de capa para o artigo do blog da Lumx: USDC aparecerá na camisa do Chelsea
Imagem de capa para o artigo do blog da Lumx: USDC aparecerá na camisa do Chelsea

A stablecoin chegou a um dos espaços publicitários mais visíveis do esporte mundial, num acordo que aproxima a categoria de um público de massa.

Fora do campo, a semana foi de reguladores mudando de posição. Reino Unido e Singapura anunciaram alterações relevantes para quem emite ou distribui stablecoins.

E na infraestrutura, os bancos comunitários americanos se organizaram para construir uma rede compartilhada, enquanto um neobanco europeu colocou no ar sua stablecoin em euro.

Tempo de leitura: 7 minutos

Circle vai estampar a USDC na camisa do Chelsea

Em resumo:

  • A Circle será patrocinadora do Chelsea, com a marca USDC na frente das camisas na temporada 2026/2027.

  • A Circle UK Trading Limited é autorizada pela FCA desde 2018, e a USDC é legal de usar no Reino Unido.

  • A empresa classifica o acordo como construção de imagem de marca, e não como promoção financeira.

A Circle anunciou o patrocínio na sexta, cerca de três meses depois de a FCA enviar cartas de alerta a clubes da Premier League. Vale o contexto: aquelas cartas tratavam de empresas não autorizadas usando patrocínio esportivo para atingir torcedores, e a Circle UK Trading Limited consta como autorizada pelo regulador desde 2018, em situação distinta da que motivou o alerta.

A nuance está em outro ponto. Como a própria Circle destaca, a USDC é emitida por afiliadas reguladas, mas não sob as leis do Reino Unido, e por isso a empresa trata o acordo como imagem de marca. É uma distinção que o mercado deve acompanhar à medida que a FCA implementa, a partir de outubro de 2027, novos padrões para empresas de ativos digitais e emissores de stablecoin. Enquanto isso, o espaço na frente da camisa de um clube global sinaliza uma aposta clara em alcance de massa, junto a um público que ainda está conhecendo o produto.

Em resumo:

  • O Tesouro britânico vai dar ao Banco da Inglaterra um objetivo estatutário secundário de apoiar inovação em pagamentos e dinheiro digital.

  • A mudança vem como emenda ao Financial Services and Markets Bill, que chega à Câmara dos Lordes em setembro.

  • O banco central passará a reportar anualmente ao parlamento sobre o avanço desse objetivo.

O Tesouro anunciou a criação do objetivo secundário, subordinado à responsabilidade primária de estabilidade financeira. A City Minister Lucy Rigby afirmou que a medida apoia o banco a seguir impulsionando inovação em pagamentos e finanças digitais.

Colocar inovação como obrigação legal, com prestação de contas anual ao parlamento, altera o custo político da cautela em um órgão desenhado para dizer não. A pressão do setor já havia surtido efeito em junho, quando o banco abandonou limites por detentor para tokens em libra e adotou um teto de emissão de 40 bilhões de libras, além de reduzir a parcela das reservas exigida em depósitos sem juros no banco central. As aplicações de emissores de stablecoins sistêmicas em libra devem abrir até o fim do ano.

Singapura estuda reconhecer stablecoins emitidas fora do país

Em resumo:

  • A MAS propôs que stablecoins emitidas em conjunto por um emissor local e um estrangeiro possam entrar no arcabouço regulatório.

  • O regulador avalia reconhecer um número limitado de stablecoins estrangeiras reguladas em regimes comparáveis, voltadas a transações wholesale cross-border.

  • As propostas revisitam a posição de 2023, que exigia emissão exclusivamente em Singapura.

A MAS abriu consulta pública sobre as emendas ao Payment Services Act, com prazo para comentários até 16 de outubro. Apenas emissores licenciados poderão rotular seus tokens como "MAS-regulated stablecoins".

Em 2023, a MAS restringiu o arcabouço à emissão local citando dificuldade de equivalência regulatória, complexidade de rastrear tokens misturados e incerteza sobre reservas mantidas no exterior. A reabertura tem como gatilho declarado o uso cross-border, o que reduz a necessidade de manter uma stablecoin distinta em cada jurisdição. A consulta também propõe proibição de pagamento de juros, testes de estresse, planos de recuperação e liquidação ordenada, e proteção do dinheiro do cliente antes da emissão.

Bancos comunitários americanos vão construir a própria blockchain

Em resumo:

  • Trinta e nove associações estaduais de bancos formaram a BankChain Alliance, uma rede blockchain compartilhada para bancos comunitários e regionais.

  • A proposta cobre depósitos tokenizados, stablecoins, pagamentos programáveis e liquidação automatizada, com lançamento previsto para 2027.

  • A aliança ainda não escolheu provedor de tecnologia nem definiu arquitetura, blockchain ou bancos participantes.

A aliança anunciou a iniciativa com governança inspirada no sistema Federal Home Loan Bank, em que os bancos participantes dirigem a rede. Kathy Kraninger, presidente interina e CEO da Florida Bankers Association, destacou uma rede construída e detida pela própria indústria.

O movimento endereça o problema dos bancos que não têm braço próprio de depósito tokenizado, como o que HSBC e Standard Chartered usaram na primeira transação ao vivo do ledger da SWIFT. Em vez de construção individual ou dependência de correspondentes, a proposta é mutualizar a infraestrutura. O risco está no estágio: sem provedor, arquitetura ou bancos definidos, e com prazo de dois anos, o consórcio ainda precisa provar execução.

Revolut lança a EURR, sua stablecoin em euro

Em resumo:

  • A EURR entrou no ar para clientes selecionados na Dinamarca, Polônia e Portugal, em rollout gradual.

  • A emissão é da Bridge Building S.A., subsidiária da Bridge licenciada em Luxemburgo, que também custodia e gere as reservas.

  • A Revolut atua como distribuidora, via subsidiária regulada no Chipre sob o MiCA.

A Revolut anunciou o primeiro produto concreto de um plano comunicado mais de um ano antes. A EURR roda em várias blockchains, funciona com carteiras externas e está integrada ao app de varejo, com ampliação para o EEE e outras moedas prevista para este ano.

A divisão de papéis é o ponto de interesse: a emissora é a Bridge, comprada pela Stripe por 1,1 bilhão de dólares, enquanto a Revolut fica com a distribuição para sua base de 80 milhões de clientes. É o caminho para fintechs oferecerem stablecoin sem se tornarem emissoras reguladas. O contexto europeu segue adverso, com o BCE apontando fragilidades estruturais das stablecoins e Bruxelas preparando revisão do MiCA em 2027 para alcançar emissores estrangeiros.

Para ler

Simon Taylor escreveu sobre uma categoria de problema que praticamente não existia antes da IA e agora aparece na mesa de produto e de risco: gasto com tokens, identidade de agentes, roteamento entre modelos. O argumento é que essas dores novas de cliente abrem espaço para produtos novos, do mesmo jeito que dores de pagamento abriram espaço para fintech. → Ler

História da semana

A Coreia do Sul decidiu dar a todos os cidadãos acesso gratuito a IA generativa, sem limite de tokens, no programa "AI for All". Três consórcios de tecnologia vão operar o serviço, entre eles as duas maiores operadoras de telecomunicações do país e a empresa por trás do Kakao, e o governo vai dividir entre eles até 512 chips B200 da Nvidia, além de bancar parte do custo de operação. As ferramentas serão ligadas a sistemas públicos, com usos como agendar consulta médica, pedir orientação sobre impostos ou receber material educativo para os filhos. As regras trazem o detalhe mais relevante: pelo menos metade das consultas precisa passar por um modelo coreano próprio certificado, e outros 30% por modelos de outras empresas coreanas, colocando o piso doméstico em 80%. Modelos estrangeiros só entram quando o ministério considerar necessário, e sem subsídio. O teste beta começa em setembro. → Ler

Leitura complementar entre IA, mercado e a infraestrutura ao redor

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