Esta foi uma semana de aparente calmaria nas manchetes globais. Mas quando o barulho diminui, costuma ser sinal de que tem gente construindo em silêncio, e foi mais ou menos isso que se viu.
A infraestrutura bancária tradicional deu um passo concreto rumo à liquidação tokenizada, enquanto Estados Unidos e Europa avançaram, cada um no seu ritmo, no arcabouço regulatório.
E, no campo do capital, o dinheiro institucional apareceu em duas frentes que se completam, ligando stablecoin a produto bancário de um lado e a crédito do outro.
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Standard Chartered e HSBC fazem a primeira transação ao vivo no ledger da SWIFT
Em resumo:
Primeira transação transfronteiriça ao vivo no ledger compartilhado da SWIFT, seis semanas após a rede abrir para os primeiros bancos.
Cada banco conectou seu próprio sistema de depósito tokenizado, e o ledger casou e compensou as obrigações antes da liquidação final pelos sistemas já em uso.
O piloto reúne 17 bancos em seis continentes, entre eles Citi, BNP Paribas, BNY, Wells Fargo, UBS, MUFG, DBS e ANZ.
Standard Chartered e HSBC executaram no dia 19 a primeira transação ao vivo no ledger blockchain da SWIFT. As mensagens de pagamento passaram pelo ledger, e as obrigações resultantes ficaram registradas no Tokenised Deposit Service do HSBC e na infraestrutura de depósito tokenizado do Standard Chartered.
A SWIFT vinha testando blockchain desde 2023, em pilotos com Chainlink, UBS e redes simuladas de CBDC. A novidade aqui é a saída do ambiente de teste. E vale entender o que ela está fazendo, porque é fácil confundir com uma stablecoin. Numa stablecoin, o token que anda na rede é o próprio dinheiro, e transferir o token já é a liquidação. No desenho da SWIFT é diferente: o dinheiro continua sendo depósito dentro de cada banco, e o ledger compartilhado entra como camada de coordenação, que combina e compensa entre as instituições quem deve o quê antes de cada uma liquidar no seu sistema. Em vez de criar um ativo que todos carregam, a SWIFT oferece um ponto comum onde os bancos se encontram sem sair do perímetro regulado.
OCC pretende finalizar as regras do GENIUS Act até novembro
Em resumo:
O Comptroller Jonathan Gould afirmou, em evento em Wyoming, que o OCC quer concluir a regulamentação até novembro.
A proposta tem 376 páginas e cobre reservas, resgate ao par, liquidez, gestão de risco, auditoria, custódia e wind-down.
Os pedidos de emissores só devem começar a ser processados em 2027.
Gould afirmou que o OCC pretende publicar a regra final até novembro para começar a processar pedidos já no ano seguinte, depois de as agências americanas terem perdido o prazo original de julho. As regras de AML e sanções seguem em um processo separado, tocado junto ao Tesouro.
Para quem planeja emitir ou distribuir stablecoin nos Estados Unidos, o recado é que o calendário deixou de ser uma incógnita, ainda que a fila só abra de fato em 2027. É justamente nesse intervalo, entre a regra sair e os pedidos começarem, que dá para organizar reserva, custódia e auditoria com calma. Gould ainda mencionou um aumento de oito vezes na atividade de chartering de ativos digitais frente à gestão anterior.
Alemanha amplia a liderança no MiCA com seis novos bancos
Em resumo:
A ESMA adicionou seis bancos cooperativos alemães ao registro do MiCA.
A Alemanha chega a 79 prestadores autorizados, à frente de França (35) e Holanda (29).
O total de prestadores autorizados na União Europeia subiu para 331.
A ESMA atualizou o registro do MiCA e incluiu seis bancos cooperativos alemães, levando a Alemanha a 79 prestadores autorizados. Eram 57 no fim de junho, o que mostra a velocidade com que o país está se consolidando.
A própria BaFin já tinha explicado que esse volume reflete o tamanho do setor financeiro alemão e um regime de licenciamento nacional anterior ao MiCA, que abriu um caminho mais simples para várias instituições na transição. Na prática, a dianteira vem de casa arrumada, e o país de origem da licença vira uma decisão estratégica para quem quer o passaporte europeu.
SBI lidera rodada de US$ 68 milhões na Fasset, avaliada em US$ 1 bilhão
Em resumo:
O SBI Group liderou uma Série C de US$ 68 milhões na Fasset, plataforma de neobanking em stablecoin, a um valuation de US$ 1 bilhão.
A rodada vem logo depois de uma Série B de US$ 51 milhões em maio, somando US$ 119 milhões captados em 2026.
As empresas planejam um banco digital conjunto na Malásia.
O SBI Group liderou a Série C da Fasset, que já processa mais de US$ 40 bilhões em volume anualizado e opera em 125 países. O capital vai para a expansão da "Own Network", que conecta bancos, empresas de pagamento e provedores de liquidez em mais de 100 corredores bancários, além do uso de IA em liquidação, tokenização e banking cross-border.
Somando ao histórico do SBI, o movimento reforça uma tese asiática bem consistente: apostar em infraestrutura de stablecoin com cara de banco, e não de exchange. É a combinação de licença, distribuição e trilho próprio que transforma stablecoin em produto bancário de verdade, e é nesse formato que o dinheiro institucional da região tem entrado.
FalconX e Ethena criam linha de crédito de US$ 1 bilhão lastreada em USDe
Em resumo:
FalconX e Ethena lançaram uma linha de crédito garantida de US$ 1 bilhão usando os ativos que lastreiam o USDe.
A estrutura é um SPV, com a FalconX originando e administrando os empréstimos e o colateral em custodiantes qualificados.
É uma das maiores alocações de capital on-chain em crédito institucional garantido até aqui.
FalconX e Ethena lançaram a linha para financiar empréstimos institucionais sobrecolateralizados, voltados a trading, tesouraria corporativa e serviços de pagamento. Para a Ethena, é uma forma de adicionar crédito institucional como fonte de retorno, além das estratégias de basis que hoje respondem pela maior parte do lastro do USDe.
O USDe é um dólar sintético de cerca de US$ 4 bilhões em capitalização, montado com colateral cripto e derivativos vendidos. Trazer esse lastro para uma linha de crédito muda um pouco a natureza do produto, porque parte do colateral deixa de servir só à paridade e passa a financiar operação institucional. É o tipo de movimento que aproxima o rendimento nativo de cripto de usos bem mais convencionais de balanço.
Esta foi a Stable News, uma curadoria semanal para te deixar a par das últimas atualizações envolvendo stablecoins ao redor do globo.






