Depois de participar do TOKEN2049 em Singapura, Caio Barbosa, fundador e co-CEO da Lumx, avaliou que a migração de empresas de Hong Kong para a cidade-Estado é explicada pela proximidade com o sistema bancário, à medida que o setor de ativos digitais incorpora atividades de tecnologia financeira.
No campo corporativo, a Mastercard lançou um serviço de triagem de fraude e sanções para pagamento em stablecoin, e a Standard Chartered adiou para 2030 sua projeção de um mercado de US$ 2 trilhões, apontando oferta estagnada e transação em alta.
Na frente regulatória e contábil, uma proposta do FASB pode permitir que empresas americanas classifiquem stablecoins qualificadas como equivalentes de caixa, enquanto a Autoridade Bancária Europeia classificou a USDC como token de dinheiro eletrônico significativo sob o MiCA. A edição fecha com o anúncio de envio de USDC pela carteira nativa do Samsung Galaxy.
Novidades da Lumx
A Lumx participou do TOKEN2049, em Singapura, em dois dias de agenda com parceiros e investidores da região. Em entrevista ao BP Money, Caio Barbosa avaliou que empresas que mantinham sede em Hong Kong passaram a estabelecer presença em Singapura pela concentração de instituições bancárias na cidade-Estado, movimento que acompanha a transformação do setor de ativos digitais em uma indústria de tecnologia financeira. Os dados da semana reforçam o diagnóstico: a Chainalysis mediu a atividade com criptoativos em Singapura em US$ 284 bilhões, alta de 55,4%, com a parcela institucional subindo 94%, para US$ 60 bilhões, e o Standard Chartered anunciou no dia 8 custódia de criptoativos, stablecoins e ativos tokenizados para clientes institucionais no país. O executivo também relatou desconhecimento, entre participantes internacionais, sobre o ambiente regulatório brasileiro, incluindo a existência de prazo para solicitação de licença.
A Mastercard levou triagem de fraude e sanções para pagamento em stablecoin
Em resumo:
O Stablecoin Security combina dado de pagamento com análise onchain para gerar um score de risco antes de a transação ser concluída.
O serviço mira fraude, golpe, exposição a sanções e outros riscos de crime financeiro, com Borderless.xyz e Keyrails como parceiros iniciais.
A disponibilidade comercial global está prevista para 2027.
A Mastercard apresentou o serviço durante o Money20/20 nos Estados Unidos. A camada adicional de complexidade em relação ao pagamento convencional vem do fato de que o dinheiro em stablecoin circula por várias carteiras e várias redes, o que dificulta avaliar risco ao longo do caminho. O ponto técnico do produto é o momento em que o score é gerado, antes de o pagamento ser completado, que é a janela em que ainda é possível segurar a operação para revisão.
Para quem opera infraestrutura de pagamento, triagem pré-liquidação passa a ser item de pauta nas conversas com banco parceiro, porque passa a existir um fornecedor de referência conhecido pelas áreas de compliance.
A Standard Chartered adiou para 2030 a previsão de US$ 2 trilhões em stablecoins
Em resumo:
O banco projetava o marco para 2028 e passou a projetar 2030, depois de a capitalização do mercado estacionar em cerca de US$ 309 bilhões neste ano.
A atividade de transação segue crescendo, com as stablecoins existentes trocando de mãos com mais frequência.
O relatório separa quatro mercados, cada um com dinâmica competitiva própria.
Geoffrey Kendrick, chefe de pesquisa em ativos digitais do banco, apontou que o uso continua se expandindo apesar do crescimento lento da oferta. A segmentação é a parte mais útil do relatório: a USDt domina poupança em mercados emergentes, a USDC lidera pagamento em mercados desenvolvidos, USDC e USDe ocupam posição forte em negociação de criptoativos, e a USDC também lidera o mercado bem menor de transações entre agentes de inteligência artificial.
O banco espera a disputa mais acirrada em pagamento nos mercados desenvolvidos, onde USDG, M^0 e redes multibancárias avançam sobre a infraestrutura existente, e trata a divisão do rendimento gerado pelas reservas entre emissores e redes de pagamento como o fator capaz de decidir participação de mercado. É desse rateio que sai a margem disponível para subsidiar taxa, remunerar saldo ou pagar quem distribui.
Uma proposta contábil pode fazer stablecoin contar como caixa no balanço
Em resumo:
A proposta do FASB permitiria às empresas americanas classificar stablecoins qualificadas como equivalentes de caixa.
A condição é ter direito de resgate direto com o emissor, então comprar em corretora não qualifica.
A consulta pública fica aberta até 19 de novembro.
Um relatório da Tempo, blockchain apoiada pela Stripe, examinou a atualização proposta em agosto pelo conselho de normas contábeis americano. Na prática contábil atual, saldo em stablecoin pode não entrar no caixa reportado mesmo com lastro integral em dólar, o que afeta índice de liquidez e cláusula de covenant de dívida.
A condição do resgate direto é o detalhe decisivo. A Coinbase já classifica a USDC e outras stablecoins de pagamento como equivalentes de caixa em seu relatório anual de 2025, amparada no acordo de resgate mantido com a Circle. Para o cliente corporativo, a pergunta que passa a importar é qual relação contratual ele tem com o emissor, o que altera o desenho de quem intermedeia esse acesso.
A Europa colocou a USDC na categoria de supervisão mais pesada do MiCA
Em resumo:
A Autoridade Bancária Europeia classificou a USDC como token de dinheiro eletrônico significativo.
A stablecoin passa a ser supervisionada em conjunto pela EBA e pela autoridade prudencial francesa.
Há outros 45 tokens de dinheiro eletrônico registrados sob o MiCA, e nenhum deles carrega essa classificação.
A autoridade comunicou a decisão na quarta-feira. A USDC é a segunda maior stablecoin por capitalização, com US$ 73 bilhões contra US$ 184 bilhões da USDt, e a classificação a coloca sob supervisão conjunta da EBA com a Autorité de Contrôle Prudentiel et de Résolution, da França.
Como a Stable News noticiou na edição anterior, a Circle havia pedido à Comissão Europeia que a exigência de manter reserva em depósito bancário desse lugar a um requisito de liquidez. Essa exigência é de 30% das reservas e sobe para 60% nos tokens classificados como significativos, de modo que a empresa passa a operar sob o patamar mais pesado enquanto discute se ele deveria existir.
O movimento acontece enquanto emissores europeus defendem lançar stablecoin em dólar ao lado das de euro. Alexander Höptner, presidente da AllUnity, afirmou que oferecer apenas uma stablecoin em euro não basta para empresa europeia que faz pagamento global.
A Samsung vai permitir enviar USDC pela carteira nativa do Galaxy
Em resumo:
O envio internacional de USDC na Solana começa na última semana de outubro, pelo Samsung Wallet e pelo Samsung Pay.
O recurso estreia em 82 milhões de aparelhos Galaxy nos Estados Unidos, com conversão embutida de e para moeda local.
O anúncio não detalha custo da transferência, guarda de chaves nem participação da Circle.
A Solana Foundation anunciou a integração, com a rede operando por trás e o usuário lidando apenas com a carteira já instalada no aparelho. A oferta de stablecoin na Solana subiu cerca de 20% em um ano, e a rede processou mais de US$ 5,25 trilhões em volume de stablecoin em 2026, segundo a fundação.
O que ficou de fora do comunicado é o que define o produto. Sem informação sobre custo da transferência e guarda de chaves, ainda não é possível classificar a funcionalidade como uma conta em dólar dentro do celular ou como um botão de envio com conversão nas duas pontas. Mercados adicionais entram depois do lançamento americano, conforme exigência regulatória local.
Para Ler
Um terço dos americanos prefere assistir aos melhores momentos de uma série a assistir a todos os episódios, e a leitura fácil de que ninguém mais tem paciência não se sustenta na própria pesquisa.
O levantamento ouviu 2.500 adultos nos Estados Unidos. Os 32% que preferem os cortes sobem para 43% na geração Z, e quatro em cada dez dizem que usariam mais os serviços de streaming se eles oferecessem clipes curtos das próprias séries, percentual que chega a 53% entre os mais jovens. Em seguida vêm os dados que mudam a interpretação: 51% afirmam que os clipes ajudam a descobrir séries que vale pagar para assistir, e 65% dizem que episódios novos das séries que acompanham pesam na decisão de manter a assinatura. O formato curto aparece como porta de entrada para o longo.
A pesquisa foi patrocinada pela Bango, empresa de empacotamento de assinaturas, o que explica o destaque dado aos achados sobre pacotes. O ponto central, ainda assim, interessa a qualquer negócio que distribua produto: a mesma pessoa procura o atalho e o conteúdo integral em momentos diferentes.
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História da Semana
Amanda Natividad, da SparkToro, passou as últimas semanas construindo vilarejos em um jogo de Pokémon e saiu de lá com uma previsão sobre o futuro do marketing.
No Pokopia, o jogador reconstrói o mundo com e para os Pokémon, montando habitats, levantando construções e decorando espaços. Ela relata que tentou erguer uma rua medieval em uma área do mapa, não coube, mudou o plano no meio do caminho, transformou a estrutura de castelo em restaurante e improvisou barracas de mercado. O resultado ficou diferente do imaginado, e ela preferiu assim. Não havia prazo, cliente nem motivo para nada daquilo.
A tese que ela extrai é que “feito inteiramente por humanos” vai se tornar um sinal de prêmio. O jogo remove a barreira técnica que a impediria de expressar uma visão e mantém com ela as decisões criativas, distinção que estrutura o argumento. A autora cita um estudo de 2024 que encontrou escritores assistidos por inteligência artificial produzindo histórias avaliadas como mais criativas e, ao mesmo tempo, mais parecidas entre si. Para ela, critério se forma fazendo, errando e improvisando, de modo que automatizar demais do processo criativo retira as oportunidades de desenvolver o discernimento que depois define o que vale automatizar.
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Leitura complementar entre IA, mercado e a infraestrutura ao redor
Remessas em criptoativos do Canadá para Índia, China e Filipinas subiram 141%, para US$ 2,36 bilhões
A França aprovou por 38 a 37 tributar a conversão de criptoativo em stablecoin a partir de 2027
Esta foi a Stable News, uma curadoria semanal para te deixar a par das últimas atualizações envolvendo stablecoins ao redor do globo.





