Em processo de adequação ao regime das SPSAV, na modalidade de intermediária de ativos virtuais, nos termos da Resolução BCB nº 520/2025 (regime de transição do art. 88)

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Stable News

Stablecoin de banco chega a 3,3 milhões de carteiras em Hong Kong

A semana também trouxe o chamado do OCC aos bancos comunitários e o desenho das regras canadenses.

Caio Barbosa

Fundador & CO-CEO

Forbes Under 30. Uma das principais vozes em Fintech & Crypto no Brasil. Escreve semanalmente sobre stablecoins, pagamentos e o futuro da infraestrutura financeira na América Latina.

Imagem de capa do artigo do blog da Lumx: Stablecoin emitida por banco atinge 3,3 milhões de carteiras em Hong Kong
Imagem de capa do artigo do blog da Lumx: Stablecoin emitida por banco atinge 3,3 milhões de carteiras em Hong Kong

A HSBC ativou a RedCoin, stablecoin lastreada em dólar de Hong Kong, dentro do aplicativo de pagamento PayMe, com mais de 100 mil estabelecimentos aceitando. No mesmo dia, a Anchorpoint, joint venture liderada pelo Standard Chartered, afirmou que não vai apressar sua própria versão de varejo.

Nos Estados Unidos, o OCC encorajou bancos comunitários a pedir autorização como emissores de stablecoin de pagamento, poucos dias depois de finalizar suas regras do GENIUS Act. O Canadá publicou o texto das regras que vai cobrar de emissores, com teto de 1% na taxa de resgate e proibição de juros.

A edição traz ainda a entrada dos bancos centrais da Malásia e da Tailândia na iniciativa de liquidação transfronteiriça de Singapura e o investimento da Tether em uma fintech boliviana de pagamentos em USDT.

Novidades da Lumx

A terceira edição do Lumx Connference acontece em 3 de dezembro, em São Paulo, em formato fechado e por convite, com foco em debater as mudanças regulatórias deste ano e as perspectivas para 2027. Nas duas primeiras edições, o evento reuniu Banco Central, CVM, BTG Pactual, Fenasbac e escritórios que atuam na linha de frente regulatória, além de lideranças de bancos, fintechs e infraestrutura. A curadoria dos painéis e a lista de convidados estão em montagem. Mais novidades em breve.

No produto, o Auto Ramp passou a operar em euro e libra, que se juntam a real, peso mexicano e dólar. A regra é configurada uma vez em uma conta nomeada e converte automaticamente cada depósito recebido para USDC ou USDT, sem chamada de API por depósito. A regra em euro devolve IBAN e BIC, e a regra em libra devolve sort code e número de conta, de modo que o pagador faz uma transferência bancária convencional. Os detalhes estão no changelog da documentação.

As stablecoins responderam por 95,9% do volume de criptoativos declarado à Receita Federal em maio, o maior patamar da série histórica, e por 92% no primeiro semestre, contra 78% no mesmo período do ano anterior. Em entrevista ao Cripto na Real, da CNN Brasil Money, Caio Barbosa, fundador e co-CEO da Lumx, avaliou que o uso precedeu o arcabouço regulatório, e que a inclusão dessas operações no mercado de câmbio pelo Banco Central deu forma a uma prática que já ocorria em escala. O trecho está disponível aqui.

Um banco colocou stablecoin em 3,3 milhões de carteiras

Em resumo:

  • A HSBC ativou a RedCoin, stablecoin em dólar de Hong Kong, dentro do aplicativo PayMe, com mais de 100 mil estabelecimentos aceitando.

  • A stablecoin roda no livro-razão privado do próprio banco, e o saldo não transita entre o PayMe e o app bancário.

  • Circulavam cerca de US$ 10,2 milhões logo após o lançamento, lastreados em US$ 10,4 milhões em caixa.

O banco ligou a RedCoin na sexta-feira, com licença de emissor obtida junto à autoridade monetária de Hong Kong em abril. Os dois números do anúncio medem coisas diferentes: os 3,3 milhões de usuários aptos a ativar a carteira descrevem alcance, e os US$ 10,2 milhões em circulação descrevem uso. A RedCoin não é depósito, portanto não tem cobertura do esquema estatutário de proteção local, e a primeira atestação independente das reservas é esperada depois do quarto trimestre.

No mesmo dia, a Anchorpoint, joint venture do Standard Chartered com Animoca Brands e HKT, se recusou a confirmar o prazo de varejo que havia indicado para o fim de 2026. O CEO Dominic Maffei afirmou que construir o mercado de forma sustentável importa e que apressar o lançamento não faz sentido. A empresa lançou seu produto institucional em agosto e planeja a versão de varejo em rede pública.

O regulador americano chamou os bancos comunitários para emitir stablecoin

Em resumo:

  • O OCC encorajou bancos comunitários a pedir autorização como emissores de stablecoin de pagamento.

  • O chamado veio depois de o regulador finalizar suas regras do GENIUS Act, que entra em vigor em janeiro.

  • Os mesmos bancos comunitários mantêm ação judicial contra o OCC por causa de charters concedidos a empresas de criptoativos.

O regulador bancário americano publicou na segunda-feira que está encorajando o desenvolvimento de capacidade de emissão dentro do setor bancário comunitário, convidando instituições interessadas a aplicar, elas próprias ou por meio de subsidiária. O convite chega em ambiente conturbado: em outubro, a Independent Community Bankers of America processou o OCC alegando vantagem competitiva de empresas de criptoativos, enquanto associações do setor contestam as regras propostas sobre rendimento.

Se os bancos comunitários entrarem em volume, passam a disputar a fatia hoje ocupada por empresas de criptoativos e grandes instituições. Para operadores de infraestrutura de pagamento, isso redesenha o mapa de contrapartes, já que um banco emissor tem o próprio balanço e a própria porta de entrada em cada mercado.

O Canadá vai limitar em 1% a taxa para resgatar stablecoin

Em resumo:

  • A consulta pública ficou aberta até 23 de dezembro, com vigência prevista para o outono de 2027.

  • A reserva é um para um, em caixa e dívida soberana de até três meses, com custodiante canadense em conta segregada.

  • O resgate sai em até três dias úteis, com taxa teto de 1%, e a proibição de juros alcança também o repasse por terceiros.

O governo canadense publicou o texto no diário oficial sob a Stablecoin Act aprovada em março. O Banco do Canadá registra e supervisiona os emissores, com multas de C$ 1 milhão a C$ 10 milhões, e a nota trabalha com a hipótese de cinco emissores e cerca de trinta empresas de pagamento adicionais sob supervisão.

A proibição de rendimento é a parte mais detalhada do texto: qualquer arranjo que permita ganho por manter a stablecoin conta como pagamento indireto, inclusive o compartilhamento da receita do emissor, enquanto recompensa atrelada ao uso continua permitida. É a terceira jurisdição a decidir a mesma coisa em poucas semanas, depois do MiCA e do GENIUS, e o Canadá declara ter buscado consistência com os Estados Unidos para reduzir carga sobre emissores multijurisdicionais. O teto de 1% no resgate entra direto na formação de preço, por fixar o custo máximo da saída.

Malásia e Tailândia entraram na iniciativa de liquidação de Singapura

Em resumo:

  • Os bancos centrais dos dois países entraram no BLOOM como membros formuladores de política.

  • A iniciativa existe para instituições financeiras usarem stablecoin e depósito tokenizado em pagamento internacional.

  • O escopo cobre gestão de caixa corporativa, trade finance e pagamento executado por agente de inteligência artificial dentro de limites predefinidos.

O Bank Negara Malaysia e o Bank of Thailand entraram na sexta-feira. A autoridade monetária de Singapura lançou o BLOOM em outubro de 2025, a partir do Project Orchid, e entre os participantes estão Airwallex, Mastercard, Ripple, Visa e o Banco Mundial.

O objetivo declarado é reduzir a necessidade de montar arranjo com cada contraparte e cada mercado, que é o custo que define o cronograma real de expansão internacional, já que entrar em um país novo exige negociar banco local, liquidação local e conformidade local. A Malásia havia anunciado em fevereiro três iniciativas para testar stablecoin em ringgit e depósito tokenizado em pagamento de atacado ao longo de 2026.

A Tether investiu numa fintech que paga delivery em USDT na Bolívia

Em resumo:

  • A Peso integrou pagamento em USDT ao serviço de delivery do Yango na Bolívia.

  • A empresa oferece QR, maquininha para lojista e conta virtual ligada ao sistema bancário local por ACH.

  • A rodada apoia expansão para Bolívia, Brasil, Colômbia e Argentina, com valor não divulgado.

A Tether liderou a rodada pre-seed da boliviana Peso, que conecta dólar digital a pagamento por QR, terminal de lojista e conta virtual amarrada ao sistema bancário do país por transferência ACH. O pano de fundo é cambial: a Bolívia abandonou a paridade de longa data em junho e convive com escassez prolongada de dólar, o que levou comerciantes a aceitar USDT desde 2025.

Em novembro de 2025 o governo anunciou planos de integrar criptoativos e stablecoins ao sistema financeiro, e em julho deste ano passou a estudar um arcabouço que reconheceria o USDT para pagamento, poupança e comércio ao lado do boliviano e do dólar. A parte relevante do anúncio para infraestrutura é a conta virtual por ACH, já que a stablecoin se converte em pagamento quando existe uma perna local que o lojista sabe receber.

Para Ler

A energia solar passou a gerar mais eletricidade no mundo do que a nuclear. A BBC analisou dados da Ember mostrando que, nos doze meses até setembro de 2026, a solar produziu 13% mais eletricidade do que a nuclear, depois de um ano anterior praticamente empatado.

Uma década atrás, a solar respondia por 1% da eletricidade global, e neste ano chega perto de 10%. O Paquistão saiu de menos de 2% em 2019 para cerca de 24%. A explicação reúne queda no preço dos painéis, manufatura chinesa barata, menos silício e prata por painel, ganho de eficiência e armazenamento em bateria. O ponto que interessa a quem está fora do setor de energia é o das projeções: Jan Rosenow, de Oxford, aponta que os modelos mainstream subestimaram a solar ano após ano, por extrapolarem o passado de uma tecnologia cujo custo cai em curva.

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História da Semana

A Lego anunciou uma parceria com o Daft Punk nesta semana, e a origem do projeto é mais interessante do que o anúncio.

Em 2020, durante o confinamento, o luxemburguês Patrick Harboun e seu filho montaram um modelo do palco em pirâmide da turnê Alive de 2007. Inscreveram no Lego Ideas, venceram o prêmio principal do desafio Music to Our Ears e alcançaram os 10 mil apoios da plataforma. É esse modelo que se torna o primeiro produto da parceria, seis anos depois.

O lançamento segue a mesma lógica de tratar o público como participante. Em 21 de outubro, a Lego publicou um teaser de trinta segundos com um bloco vermelho 2x4, sem texto, filmado de modo que os três tubos internos lembrassem alto-falantes. O filme de lançamento combina as duas linguagens visuais sob a assinatura “Builders After All”, e o produto ainda não tem preço, data nem desenho final definido. Julia Goldin, diretora de produto e marketing da Lego, descreveu o anúncio como o começo de uma jornada maior.

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Leitura complementar entre IA, mercado e a infraestrutura ao redor

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